
IAN LANGSDON/EPA
A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21), arrancou com apelos generalizados para ação urgente no combate ao aquecimento global, mas as divisões entre os países do Norte e do Sul mantêm-se claras.
A abrir a COP21, que reúne em Paris representantes de 195 países, incluindo 150 líderes políticos, como os Presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin e do Brasil, Dilma Rousseff, foi observado um minuto de silêncio pelos recentes atentados cometidos em vários países, incluindo a França.
A luta contra o terrorismo e a luta contra as alterações climáticas são "dois grandes desafios mundiais que temos de enfrentar", disse o anfitrião da cimeira, o Presidente francês François Hollande.
"Devemos (às nossas crianças) um planeta preservado das catástrofes", salientou, acrescentando que a COP21 é "uma enorme esperança que não há o direito de defraudar", pois trata-se de "decidir em Paris o futuro do planeta".
Espera-se que da cimeira, que termina a 11 de dezembro, resulte um acordo global e vinculativo para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, de modo a limitar, até 2100, o aquecimento global a 2º Celsius, por comparação com a era pré-industrial.
Barack Obama, presidente do segundo país mais poluidor (a seguir à China), apelou aos demais líderes para que "estejam à altura" da situação, rejeitando o argumento de que a luta contra as alterações climáticas será uma má notícia para a economia e afirmando que "não há conflito entre um forte crescimento económico e a proteção ambiental".
Sucedendo-se na tribuna, vários líderes reiteraram a importância da luta contra o aquecimento global, com Dilma Rousseff a anunciar medidas de reflorestamento, Vladimir Putin a apelar para "um acordo vinculativo e justo" e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, a solicitar aos presentes que não se fiquem por "meias-medidas".
"Não se podem dar ao luxo de estar indecisos, de tomar meias-medidas (...) A história interpela-vos, eu exorto-vos a responderem com coragem e visão", afirmou Ban Ki-moon.
As negociações antevêem-se como duras, pois todos os países têm as suas "linhas vermelhas" e as fraturas já se fazem sentir, em particular quanto à partilha de responsabilidades entre países industrializados, emergentes e em desenvolvimento e o respetivo impacto financeiro.
Os países desenvolvidos devem "cumprir os seus compromissos" para financiar as políticas climáticas do Sul, alertou o presidente chinês, enquanto o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, escreveu num artigo publicado no Financial Times que os países desenvolvidos devem "assumir mais responsabilidade" e que aos países em desenvolvimento deve ser "permitido crescer".
Este fim-de-semana, marchas um pouco por todo o mundo reuniram centenas de milhares de manifestantes que exigiam "um acordo forte sobre o clima", num momento em que o planeta está a aquecer a uma velocidade sem precedentes, como resultado das emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis, mas também dos modos de produção agrícola e de uma desflorestação recorde.
Do Paquistão às ilhas do Pacífico, da Califórnia aos vinhedos de Bordéus, o clima desregulado causa ondas de calor, secas e erosão das zonas costeiras, com os cientistas a temerem a repetição de ciclones, queda dos rendimentos agrícolas e a inundação de territórios costeiros.
"Ao alterarmos o clima, somos os arquitetos da nossa destruição", declarou o Príncipe Carlos na sua intervenção em Paris.
Com vista à COP21, 184 países (em 195) divulgaram planos de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa, uma participação inesperada mas que, ainda assim, coloca o mundo no caminho de uma subida de temperatura de três graus.
