
Comandante dissidente das FARC, Iván Mordisco
Fotos: Joaquín Sarmiento / AFP
Um tiroteio na Amazónia entre grupos rebeldes de Esquerda rivais na Colômbia fez 27 mortos, informou este domingo uma fonte do Exército colombiano à agência France-Presse (AFP).
Ambos os grupos separaram-se das outrora poderosas guerrilhas das FARC quando estas assinaram um acordo de paz com o Governo em 2016, após décadas de combates. Agora, estes grupos dissidentes lutam entre si na região de Guaviare, na Amazónia, pelo controlo das rotas de tráfico de droga, mineração ilegal e extorsão.
Os recentes confrontos opuseram rebeldes liderados por Iván Mordisco, o homem mais procurado da Colômbia, e outro conhecido pelo nome de guerra Calarca.
Fontes das Forças Armadas disseram que o número de mortos ainda é preliminar. O Exército afirmou no sábado, na rede social X, que o combate foi motivado sobretudo pelo controlo do território.
Um vídeo partilhado pelo Exército com a AFP mostra mais de 20 corpos com fatos de combate estendidos numa estrada de terra batida.
Mordisco realizou negociações de paz com o Governo do presidente de Esquerda Gustavo Petro, mas abandonou o processo em 2024 e, desde então, intensificou os ataques contra civis e forças de segurança. As forças lideradas por Calarca também realizaram negociações de paz intermitentes com o Executivo.
Com as eleições a quatro meses de distância e a Oposição a acusá-lo de ser brando, Petro aumentou a pressão sobre os grupos rebeldes. Em novembro, as forças governamentais realizaram um grande ataque que fez 19 seguidores de Mordisco mortos. O presidente colombiano comparou o esquivo Mordisco ao lendário barão da cocaína Pablo Escobar.
Petro entrou em conflito aceso com os Estados Unidos recentemente por causa da Venezuela, à medida que as tensões aumentavam entre os dois aliados de longa data. O chefe de Estado trocou palavras duras com o homólogo norte-americano, Donald Trump, depois de este ter ameaçado, após a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela, atacar Petro.
Mas, na semana passada, os dois líderes conversaram e concordaram em trabalhar em conjunto para combater o tráfico de droga. A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína.
