Pelo menos seis pessoas ficaram, esta segunda-feira, feridas na sequência de confrontos entre estudantes e forças de segurança junto da Universidade Católica Andrés Bello, na localidade venezuelana de Guayana, 675 quilómetros a sudeste de Caracas.
Os incidentes começaram quando um grupo de estudantes se concentrou junto da entrada da universidade em protesto pela detenção de um colega, Xavier Beckles, de 22 anos, estudante da faculdade de Engenharia Informática, informaram rádios locais.
Os estudantes, que se recusam a assistir às aulas, decidiram avançar pela rua em manifestação e encontraram-se com oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) que tentaram dispersá-los, usando bombas de gás lacrimogéneo e tiros de borracha.
Entre os feridos encontra-se um oficial de segurança da universidade e um comandante da Guarda Nacional Bolivariana.
Outro grupo de manifestantes incendiou, hoje, um camião de distribuição de gás na cidade de San Cristóbal (nas proximidades da fronteira com a Colômbia).
Desde há quase três meses que se registam protestos diários em várias regiões da Venezuela, contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro devido à crise económica, inflação, escassez de produtos, insegurança, acusações de corrupção, alegada ingerência cubana e a repressão por parte de organismos de segurança do Estado.
Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos que resultaram, segundo dados não oficiais, em 42 mortos, 6.081 feridos, 22.851 detidos (privados temporariamente de liberdade até serem presentes a um juiz) e 1.682 presos na sequência de sentenças.
Segundo as autoridades venezuelanas 15 funcionários policiais e militares são investigados por incorrer, alegadamente, em violações dos direitos humanos.
A 25 de abril o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou que qualquer concentração ou manifestação pacífica tem que estar previamente autorizada e que o direito de protestar não é absoluto e admite restrições, apesar de estar contemplado na Constituição venezuelana.
