Conselho da Europa retira imunidade diplomática a Jagland devido a escândalo Epstein

Thorbjorn Jagland
Foto: ludovic Marin / AFP
O Conselho da Europa tirou esta quarta-feira a imunidade diplomática ao seu antigo secretário-geral Thorbjorn Jagland, também ex-primeiro-ministro norueguês, envolvido no escândalo de tráfico de influências e abusos sexuais protagonizado pelo norte-americano Jeffrey Epstein.
Jagland, que desempenhou aquelas funções na instituição sediada em Estrasburgo entre 2009 e 2019, gozava de imunidade diplomática mesmo depois do seu mandato ter terminado por ações relevantes no exercício de secretário-geral. O político norueguês foi também presidente do Comité Nobel, que atribui o prémio internacional da Paz, e enfrenta agora um inquérito das autoridades do seu país devido às ligações ao criminoso sexual Epstein.
O atual secretário-geral do Conselho da Europa, o suíço Alain Berset, declarou que, sem a imunidade, "o sistema judicial norueguês" pode agora fazer "o seu trabalho" e Jagland, "caso seja processado", pode defender-se. O advogado de Jagland, Anders Brosveet, disse que esta decisão já "era esperada" e que o seu cliente vai "colaborar com a investigação", apesar de defender que "não há nenhum ato criminalmente repreensível".
Segundo o jornal norueguês Verdens Gang, que cita documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, Jagland pediu uma garantia a Epstein para comprar um apartamento. Jagland, de 75 anos, declarou ao mesmo jornal que todos os empréstimos para os seus imóveis foram obtidos no banco norueguês DNB.
Segundo os mesmos documentos, Jagland esteve em propriedades de Epstein em Nova Iorque, em 2018, e em Paris, em 2015 e 2018, tendo estado prevista uma deslocação à ilha do influente norte-americano em 2014, mas acabou por ser cancelada.
O Conselho da Europa, do qual fazem parte 46 países, tem por missão defender os Direitos Humanos, a democracia e o estado de direito na Europa.
Na Noruega, foram ainda descobertas ligações ao escândalo de Epstein por parte da diplomata Mona Juul e seu marido, Terje Rod-Larsen, mas também da princesa herdeira, Mette-Marit.
Em França, o antigo ministro da Cultura Jack Lang teve de se demitir do cargo de presidente do Instituto do Mundo Árabe pelos mesmos motivos
O diplomata britânico Peter Mandelson foi demitido em setembro depois de serem tornadas publicas relações com Epstein.
Muitas outras pessoas em todo o Mundo, mas sobretudo nos Estados Unidos da América, aparecem nos documentos tornados públicos pela justiça americana. Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.
