
Marco, 41 anos, Sofia, de 39, Leandro, 12, e Sara, que tem apenas 5, vivem em Feulen, no norte do Luxemburgo
António Pires
Primeiro caiu Marco, depois Sofia, por fim Leandro. Numa família de quatro portugueses no Luxemburgo, três ficaram infetados com o novo coronavírus. Durante semanas, acompanhámos diariamente como os Bulas enfrentaram "o monstro" que os comia por dentro.
O monstro chegou a 11 de março a casa dos Bulas. É assim que Sofia lhe chama, foi assim que se habituou a pensar nele à medida que invadia os quotidianos e os corpos da sua família. Houve um dia em que o nome lhe veio à cabeça de repente, foi uma manhã em que parecia que ia sentir-se bem, mas depois veio-lhe a dor nas costas, que num instante escalou para o peito e a fez tossir ao ponto de não conseguir respirar. Sentiu que havia uma criatura viva capaz de paralizá-la, que a tinha assaltado sem pedir licença e agora se alimentava dos seus pulmões. O coronavírus. A Covid-19. "O monstro."
Os Bulas vivem em Feulen, no norte do Luxemburgo. São uma família de quatro. Há Marco, que tem 41 anos, Sofia, de 39, Leandro, com 12, e Sara, que tem apenas 5. Um a um, todos - exceto a mais pequena - foram caindo na cama com uma infeção que os assustava e sabiam poder ser letal. Durante semanas, fecharam-se em casa, quase sempre longe uns dos outros, à espera de um veredicto final: a cura ou o desgosto. De vez em quando, conseguiam angariar forças para falar por skype com os avós, fechados em casa em Trás os Montes. "Eles tinham planos de vir na Páscoa, havíamos de passá-la em família como é costume", conta Sofia, "mas depois aconteceu isto."
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