
Com a eventual aliança entre Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) numa segunda volta, está tudo em aberto nas eleições presidenciais do Brasil, nas quais Dilma Rousseff (PT) tenta a reeleição.
Na reta final para as eleições de domingo, os principais candidatos ao Palácio do Planalto endurecem o discurso e tentam conquistar cada voto. O último debate televisivo na TV Globo, anteontem à noite (madrugada de ontem em Portugal continental), ficou marcado por uma acesa troca de acusações.
A corrupção foi o tema dominante, quanto a irregularidades na Petrobrás, o escândalo do mensalão (compra de votos) e as políticas económicas e sociais. Dilma e Marina protagonizaram um dos momentos mais intensos, num "frente a frente" sobre corrupção que se prolongou para lá do tempo previsto e depois dos microfones desligados.
A candidata do PSB, numa tentativa de reconquista dos votos perdidos nas últimas semanas, prometeu um novo subsídio anual para as famílias carenciadas.
Aécio apresentou-se como alternativa e dirigiu os seus argumentos não só para Dilma mas também para Marina, com quem disputa a presença numa eventual segunda volta contra a atual presidente. O candidato do PSDB lembrou que a ecologista pertenceu ao governo de Lula da Silva quando rebentou o escândalo do mensalão.
Num debate de duas horas e meia, a atual presidente foi questionada sobre as suspeitas de corrupção na Petrobrás e as acusações de que utilizou os Correios de forma irregular para distribuição de material da sua campanha.
No debate também participaram os outros quatro candidatos: Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB) e Pastor Everaldo (PSC). Juntos, segundo a última sondagem do Datafolha, recolhem 4% das intenções de voto.
Dilma continua isolada à primeira volta, recolhendo 40% das preferências. A "luta" vai ser entre Marina e Aécio, com 24% e 21%, respetivamente.
A oposição só será "ameaça" para a reeleição de Dilma caso haja uma união entre PSDB e PSB na segunda volta, defendeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista ao "Estadão".
