Detido conselheiro de deputado da extrema-esquerda sobre morte de ativista nacionalista

Assessor de Raphaël Arnault (na foto), do partido França Insubmissa, foi detido
Foto: Thomas Samson/AFP
Um conselheiro parlamentar de um deputado da extrema-esquerda foi detido, esta terça-feira, em França, juntamente com outros três homens, no âmbito da investigação à morte do ativista nacionalista Quentin Deranque, indicou uma fonte próxima do caso.
Jacques-Elie Favrot é conselheiro parlamentar de Raphaël Arnault, do partido França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) e fundador do extinto grupo antifascista "Jovem Guarda". No domingo, Favrot negou, através do seu advogado, ser responsável pelo que classificou de tragédia, declarando estar "à disposição do sistema judicial", e demitiu-se das funções junto de Arnault.
O procurador de Lyon (centro-leste de França), Thierry Dran, anunciou hoje a detenção de quatro homens, depois de na segunda-feira ter adiantado que a investigação à morte do jovem tinha sido alargada para incluir acusações de homicídio voluntário. Inicialmente, a Procuradoria de Lyon abriu uma investigação por "violência agravada".
Quentin Deranque, um estudante de 23 anos, foi atacado na quinta-feira em Lyon e morreu no sábado na sequência dos ferimentos.
Segundo o procurador, o jovem terá sido atacado por "pelo menos seis indivíduos" encapuzados, que usavam máscaras e passa-montanhas, tendo sofrido um "grave traumatismo cranioencefálico", considerado fatal "a curto prazo".
O grupo de extrema-direita Némésis disse que Quentin Deranque foi atacado por "ativistas antifascistas" por integrar a equipa de segurança que o protegia durante um protesto contra uma conferência realizada por Rima Hassan, eurodeputada do França Insubmissa.
O Némésis indicou concretamente a organização "Jovem Guarda", dissolvida por decreto governamental em 2025.
Logo que as detenções foram anunciadas, o líder do LFI, Jean-Luc Mélenchon, declarou que se "desonra (...) quem ataca de uma forma que acarreta o risco de causar a morte".
O LFI disse que "não aceita as lições" do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que pediu ao partido que "limpasse a casa", segundo a agência noticiosa France-Presse (AFP).
O presidente do partido de extrema-direita União Nacional (RN), Jordan Bardella, por seu turno, acusou Mélenchon de ter "aberto as portas" da Assembleia Nacional "a suspeitos de homicídio".
No parlamento foi hoje observado um minuto de silêncio, com a concordância de todos os grupos políticos, e no discurso aos deputados Lecornu pediu que "a verdade prevaleça nos tribunais", sem "qualquer pressão".
O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, que no domingo culpou a extrema-esquerda pela morte do jovem, declarou hoje que "a 'Jovem Guarda' mata e a França Insubmissa deveria condená-la" em vez de a considerar "uma organização aliada".
"Não aceitamos que a violência física, seja qual for a sua origem, seja utilizada para resolver conflitos. Aqueles que estão a explorar esta tragédia para nos difamar devem parar", reagiu Mathilde Panot, líder parlamentar da LFI.
Segundo a AFP, há vários anos que Lyon é conhecida como um refúgio para grupos de extrema-direita, vários dos quais já foram dissolvidos, e palco de frequentes confrontos com ativistas antifascistas.
Descrito pela sua família como um "ativista pacífico", Deranque esteve envolvido no movimento radical de extrema-direita e em várias das suas fações.
Segundo os jornais Le Figaro e Mediapart, participou numa marcha com cerca de mil ativistas de extrema-direita em Paris, no dia 10 de maio de 2025, alguns dos quais exibiam iconografia nazi.
As autoridades judiciais anunciaram ainda hoje a abertura de dois inquéritos em Paris: um sobre uma concentração de cerca de meia centena de pessoas a fazerem saudações nazis e outro após a descoberta de cruzes suásticas e grafítis antissemitas na Praça da República, no centro da capital francesa.
