
De acordo com Lula da Silva, Darren Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde do Brasil puder entrar nos EUA
Foto: Pablo Porciuncula/AFP
A diplomacia brasileira confirmou, esta sexta-feira, a revogação do visto a um assessor do presidente dos EUA, que tencionava visitar Jair Bolsonaro na prisão em Brasília, por "falseamento de informações".
"Tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington", resumiu assim o Ministério das Relações Exteriores, numa nota divulgada pela Agência Brasil. "Trata-se de princípio legal suficiente para a negação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional", sublinhou o Itamaraty.
Hoje, mais cedo, o presidente brasileiro, Lula da Silva, disse que tinha revogado o visto de um assessor do chefe de Estado norte-americano que tencionava visitar Jair Bolsonaro na prisão.
De acordo com Lula da Silva, o assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, só entrará no país quando o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, cujo visto foi revogado no ano passado pelo Governo norte-americano, puder entrar nos Estados Unidos.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado", afirmou Lula da Silva durante um evento no Rio de Janeiro.
"Você sabe que bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos, sabe? Então, Padilha, esteja certo que você está sendo protegido", reforçou Lula da Silva.
Em causa está uma visita solicitada pela defesa de Jair Bolsonaro para que o ex-presidente condenado a mais de 27 anos de prisão pudesse receber, na próxima semana, Darren Beattie na prisão.
Numa primeira fase, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou o encontro, mas, após o Governo brasileiro considerar que poderia ser uma "ingerência nos assuntos internos" em ano de eleição, o juiz voltou atrás.
"A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido", lê-se na nova decisão.
Beattie, atualmente assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado norte-americano, tinha anteriormente acusado Moraes de perseguir Bolsonaro e os seus apoiantes e defendeu a imposição de sanções ao juiz.
Entretanto, hoje de madrugada, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi transferido da prisão em que se encontra a cumprir pena para um hospital em Brasília depois de apresentar problemas de saúde, indicou o seu filho e senador Flávio Bolsonaro.
O líder da extrema-direita brasileira foi diagnosticado com broncopneumonia, ou seja, com líquido nos pulmões, em consequência de uma aspiração bronquial, afirmou o seu filho mais velho numa conferência de imprensa à porta do centro de saúde DF Star, em Brasília.
Bolsonaro começou em 25 de novembro de 2025 a cumprir uma pena de prisão efetiva de 27 anos e três meses, em consequência da condenação em 11 de setembro de 2025 pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e vandalismo (deterioração de património tombado).
