
Um dos comboios envolvidos no acidente tombou
Foto: Direitos Reservados
Dois comboios de alta velocidade descarrilaram, neste domingo, em Adamuz, na província espanhola de Córdoba, na Andaluzia. O acidente provocou pelo menos 21 mortos e dezenas de feridos graves.
Uma das composições fazia a ligação Málaga-Madrid Atocha (LD AV Iryo 6189) e a outra Madrid Atocha-Huelva (LD AV 2384). O comboio que partiu de Málaga às 18.40 horas locais descarrilou cerca de uma hora depois, tendo os últimos três vagões invadido a via contígua, onde circulava o outro veículo que vinha da capital espanhola, segundo a Adif, gestora das infraestruturas ferroviárias em Espanha. No comboio da Iryo viajavam 317 pessoas, segundo a empresa, e no da Renfe iam cerca de 200.
El tren de LD AV Iryo 6189 Málaga - Pta de Atocha ha descarrilado en los desvíos de entrada de vía 1 de Adamuz, invadiendo la vía contigua. Por vía contigua circulaba tren de LD AV 2384 Pta. de Atocha - Huelva , que también ha descarrilado.
- INFOAdif (@InfoAdif) January 18, 2026
"Há 21 mortos confirmados oficialmente neste momento, mas não podemos dar esse número como definitivo", disse o ministro dos Transportes, Óscar Puente, numa conferência de imprensa em Madrid pouco antes da 1 hora desta segunda-feira (0 horas em Portugal continental).
Óscar Puente qualificou o acidente, "numa reta", como "tremendamente estranho", revelando que a via foi totalmente renovada recentemente, em trabalhos que terminaram em maio passado, e que também o comboio que descarrilou inicialmente era "praticamente novo", com cerca de quatro anos.
Segundo o ministro, o choque com os vagões que descarrilaram fez "sair disparadas" da via as duas primeiras carruagens do comboio Alvia, da Renfe, onde seguia a maioria das vítimas mortais.



Foto: Eleanorinthesky /redes sociais via AFP
O tráfego de comboios de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia teve de ser suspenso e todos os comboios em trânsito foram redirecionados para os seus pontos de origem.
O Governo regional da Andaluzia acionou o plano autonómico de emergências de proteção civil e o executivo central de Espanha enviou para o local 37 militares da Unidade Militar de Emergências (UNE), uma estrutura das forças armadas especializada em situações de catástrofe.
Passageiro relata "terramoto" nos vagões
O jornalista Salvador Jiménez, que participou em direto no noticiário da estação televisiva TVE, testemunhou que o comboio LD AV Iryo 6189 partiu de Málaga e às 19.45 horas locais, e que quando viajava na primeira carruagem, sentiu como "um terramoto" em todos os vagões.
Jiménez explicou que "imediatamente" a tripulação usou o sistema de som para perguntar aos passageiros se havia algum profissional médico para ajudar os feridos nos dois últimos vagões, um dos quais estava tombado de lado para os carris, com os vidros partidos.
Os passageiros começaram a desembarcar em direção à estação de Adamuz, enquanto a tripulação usava martelos para partir os vidros e ajudar as pessoas a sair das carruagens descarriladas. O jornalista observou ainda pessoas em cima do último vagão a tentar resgatar os feridos que estavam no interior.
Esta noite, permanecerão abertas as estações de Atocha (Madrid), Córdoba e Sevilha, assim como as de Málaga e Huelva (origem e destino dos comboios envolvidos no acidente), onde foram preparados espaços para atender e acolher familiares das vítimas que o possam necessitar", acrescentou a Adif, num comunicado.
