
Donald Trump, presidente dos EUA
Foto: Francis Chung / POOL / EPA
A porta-voz da Casa Branca advertiu, esta quinta-feira, que o destacamento de tropas europeias para a Gronelândia não terá influência na ambição do Presidente norte-americano, Donald Trump, em relação ao território autónomo dinamarquês.
"Não acredito que o envio de tropas para a Europa tenha qualquer impacto na tomada de decisões do Presidente, e não tem impacto no seu objetivo de adquirir a Gronelândia", afirmou Karoline Leavitt em conferência de imprensa.
Os comentários da porta-voz surgem depois de a Dinamarca ter anunciado na quarta-feira um aumento imediato das suas forças na Gronelândia, bem como a realização de exercícios militares, num esforço para aliviar as preocupações declaradas por Washington sobre a segurança do território e da região do Ártico.
França, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia e Países Baixos aderiram à iniciativa e vão também enviar tropas para a Gronelândia, que a administração norte-americana liderada por Trump cobiça sob o pretexto de reforçar a "segurança nacional" dos Estados Unidos e impedir que a região caia na influência da China ou da Rússia.
Na quarta-feira, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, receberam o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e a sua homóloga gronelandesa, Vivian Motzfeldt, na Casa Branca.
Da reunião resultou a criação de um grupo de trabalho que, segundo os ministros dos Negócios Estrangeiros de Copenhaga e de Nuuk, servirá para resolver "desacordos" com Washington.
"Foi uma boa reunião, e ambos os lados concordaram em estabelecer um grupo de trabalho composto por pessoas que continuarão a realizar discussões técnicas sobre a aquisição da Gronelândia", observou, esta quinta-feira, a porta-voz da Casa Branca.
Karoline Leavitt referiu que as conversações entre as três partes ocorrerão a cada duas ou três semanas e insistiu que Trump "deixou muito clara a sua prioridade: quer que os Estados Unidos adquiram a Gronelândia".
A primeira-ministra dinamarquesa vai pelo seu lado reunir-se com uma delegação do Congresso norte-americano que estará de visita a Copenhaga na sexta-feira e no sábado, confirmou esta quinta-feira o seu gabinete à agência noticiosa France-Presse (AFP).
O chefe do executivo da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, também estará presente, indicou um porta-voz do gabinete de Mette Frederiksen.
Liderada pelo senador democrata Chris Coons, a delegação bipartidária do Congresso estará na capital dinamarquesa para se reunir também com líderes empresariais, figuras políticas e membros do parlamento.
A delegação norte-americana vai discutir com os seus anfitriões dinamarqueses "o reforço da segurança no Ártico e a consolidação das relações comerciais", afirmou Chris Coons num comunicado de imprensa na segunda-feira.
Numa tentativa de apaziguar Washington, Copenhaga anunciou um investimento de quase 90 mil milhões de coroas (12 mil milhões de euros) no reforço da defesa do Ártico.
Donald Trump já ridicularizou porém os esforços dinamarqueses, comentando que "dois trenós puxados por cães não são suficientes" para defender o território da Rússia ou da China.
