
Foto: Fadel Senna/AFP
O Irão prometeu destruir qualquer navio que passe pelo estreito de Ormuz e general iraniano Sardar Jabbari declarou que "não vai deixar que uma única gota de petróleo saia da região". As declarações são resposta à ofensiva norte-americana e israelita que resultaram no aumento dos preços do petróleo. Mas o que é o estreito de Ormuz?
O estreito mais movimentado do Mundo
O estreito de Ormuz é o canal mais movimentado do Mundo para o transporte de petróleo (20% do comércio global de petróleo e gases naturais), cercado a norte pelo Irão e a sul pelo Omã e os Emirados Árabes Unidos (EAU). Com 50 km de largura, o estreito liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico.
Em 2025, transitaram cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, estimativa da US Energy Information Administration (EIA), cerca de 600 mil milhões de dólares (517 mil milhões de euros). O petróleo que transita não é exclusivo do Irão, mas também de países vizinhos como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e EAU.
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Impactos de bloquear o estreito
O prolongamento do bloqueio pode traduzir-se num aumento nos preços dos produtos e serviços globais, assim como danificar economias globais como China, Índia e Japão, os principais importadores de petróleo iraniano.
Os preços do petróleo Brent registaram subidas nos últimos dias, ultrapassando os 80 dólares (69 euros) por barril, o valor mais elevado desde junho de 2025, após três petroleiros terem sido atacados durante o fim de semana.
O aumento do risco na região levou várias companhias marítimas a suspender ou desviar rotas no estreito de Ormuz. Cerca de 150 petroleiros estão retidos, segundo a agência Reuters.
O Irão exporta cerca de 1,7 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a International Energy Agency. Segundo dados de março de 2025, o país lucrou cerca de 67 mil milhões de dólares (57,8 mil milhões de euros) com a exportação de petróleo, estimativas do Banco Central Iraniano.
O bloqueio do canal também asfixia países do Golfo Pérsico como a Arábia Saudita, cuja economia depende muito da exportação de petróleo. A China também é fortemente afetada. Cerca de 90% do petróleo importado por Pequim vem do Irão, o que poderá fazer aumentar os preços globais, já que a China, principal manufatureira do Mundo, utiliza o petróleo nas suas indústrias, posteriormente exportadas.
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Irão ameaçou navios que passem no estreito
Segundo a agência Reuters, a 28 de fevereiro, um oficial da missão naval da União Europeia Aspides declarou que vários dos navios receberam mensagens transmitidas pela Guarda Revolucionária Iraniana a informar que "nenhum navio pode passar pelo estreito de Ormuz". Posteriormente, a 1 de março, três petroleiros na costa do Golfo sofreram danos colaterais na resposta iraniana à ofensiva norte-americana e israelita, o que resultou na morte de um dos marinheiros, avança a Reuters.
As declarações mais recentes, segundo o jornal "Al Jazeera", já demonstram uma escalada das ameaças. "O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e Marinha incendiarão esses navios", declarou Ebrahim Jabari, um assessor do comandante-chefe da guarda.
Por sua vez, os Estados Unidos desmentiram, na segunda-feira, as declarações dos responsáveis iranianos sobre o encerramento do estreito de Ormuz.
Como poderia ser fechado?
O estreito de Ormuz é dividido entre Omã e Irão. As Nações Unidas permitem aos países controlo marítimo até 12 milhas náuticas.
O Irão não deixou claro de que maneira irá funcionar um possível bloqueio, mas, de acordo com especialistas, a forma mais eficaz seria colocar minas através de lanchas de ataque rápido e submarinos. Contudo, grandes embarcações militares podem tornar-se um alvo fácil para ataques aéreos norte-americanos. Trump já declarou que pretende destruir o poder naval iraniano.
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Em 1980, os Estados Unidos já intervieram no estreito de Ormuz durante a guerra Irão-Iraque, onde ambos os países atacaram petroleiros neutros no conflito. Eventualmente, navios de guerra americanos começaram a acompanhar esses petroleiros na passagem do estreito.
Possíveis alternativas
Ameaças constantes ao longo dos anos obrigaram os países do Golfo a criar rotas alternativas. A Arábia Saudita, por exemplo, criou um gasoduto de 1200 km capaz de transportar cinco milhões de petróleo bruto por dia, de acordo com a International Energy Agency.
Já os Emirados Árabes Unidos conectaram as suas petrolíferas ao porto marítimo de Fujairah, no Golfo do Omã, através de um gasoduto capaz de transportar até 1,5 milhões de barris.
O petróleo poderia ser desviado através de infraestruturas alternativas para contornar o estreito de Ormuz, mas, de acordo com a Reuters, isso levaria a uma queda da oferta entre oito a dez milhões de barris por dia.
