EUA anunciam ajuda de cinco milhões de euros para Cuba, que acusa país de "bloqueio energético"

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel
Foto: AFP
O governo dos EUA anunciou, esta quinta-feira, uma ajuda de seis milhões de dólares (cerca de cinco milhões de euros) para Cuba, quando as tensões entre os dois países aumentam e o presidente cubano acusa os EUA de "bloqueio energético".
A ajuda é destinada principalmente às pessoas que vivem na região leste de Cuba, que foi atingida pelo furacão Melissa no final do ano passado.
Entre os bens enviados incluem-se arroz, feijão, macarrão, latas de atum e lâmpadas solares, que serão entregues pela Igreja Católica e pela Caritas, disse o alto responsável do Departamento de Estado dos EUA, Jeremy Lewin.
Aquele responsável alertou que funcionários da embaixada dos EUA em Cuba estarão em campo "para garantir que o regime não se aproprie da ajuda, a desvie ou tente politizá-la".
Os EUA já tinham enviado três milhões em ajuda humanitária ao povo cubano afetado pelo furacão Melissa.
Lewin rejeitou a ideia de que a interrupção dos embarques de petróleo da Venezuela - após os EUA atacarem o país sul-americano e prenderem o seu então líder - seja responsável pela situação humanitária em Cuba.
O responsável do Departamento de Estado norte-americano disse que, durante anos, a ilha "acumulou todos os recursos para os poucos velhos senis que governam o país, para os seus capangas, para o aparato de segurança", e acusou Cuba de "interferir no exterior", incluindo de "colonizar a Venezuela".
"É nisso que eles estão a gastar o seu tempo e atenção", afirmou Lewin, salientando que a sua mãe nasceu em Havana.
"Por é que eles não conseguem comida? Não é porque não estamos a deixar que o petróleo venezuelano ilícito continue a enriquecer Raúl Castro", acrescentou, referindo-se ao ex-presidente cubano. "É porque o governo não consegue colocar comida nas prateleiras. Eles têm milhares de milhões de dólares, mas não os usam para comprar comida para os cubanos comuns", acrescentou.
Lewin falou horas depois de o presidente cubano Miguel Díaz-Canel ter realizado uma rara conferência de imprensa, apenas para convidados, na qual respondeu a perguntas de um grupo selecionado de repórteres. A agência de notícias norte-amerciana Associated Press não foi convidada.
Díaz-Canel disse que havia uma "guerra psicológica" contra Cuba referindo-se a uma recente ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas a qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba como "um bloqueio energético".
Para o presidente cubano que tais ações afetam transportes, hospitais, escolas, turismo e produção de alimentos.
Além de graves apagões, as autoridades cubanas observam que as sanções dos EUA, que aumentaram no segundo mandato de Trump, custaram ao país mais de 7,5 mil milhões de dólares entre março de 2024 e fevereiro de 2025.
"Sei que vamos passar por tempos difíceis. Mas vamos superá-los juntos, com resiliência criativa", afirmou Díaz-Canel num discurso de duas horas, no qual respondeu a perguntas de alguns jornalistas.
O Chefe de Estado salientou que Cuba não recebe remessas de petróleo desde que os EUA iniciaram o seu "bloqueio naval" à Venezuela, em dezembro.
"Portanto, temos problemas com a disponibilidade de combustível para garantir não só a geração de energia elétrica, mas também as atividades básicas", concluiu.
Díaz-Canel prometeu que, dentro de uma semana, daria detalhes sobre a situação atual da ilha e como o governo irá enfrentá-la.
"Há muito medo", referiu. "Sei que as pessoas dizem: 'Sacrifício, de novo?'. Bem, se não nos sacrificarmos e não resistirmos, o que faremos? Vamos desistir?", questionou.
Lewin, por seu lado, disse que, se o governo cubano cair em si e estiver disposto a permitir que os EUA forneçam mais apoio, poderá haver mais anúncios.
"Eles deveriam concentrar-se em prover o seu povo, não em fazer essas declarações bombásticas", afirmou "Ele pode falar muito, mas, novamente, qualquer governo, a sua primeira responsabilidade é sempre prover o seu povo", frisou o responsável norte-americano.
No seu discurso, Díaz-Canel disse que o seu governo está aberto ao diálogo com os Estados Unidos sob certas condições, incluindo o respeito pela soberania de Cuba e "sem abordar questões delicadas que possam ser percebidas como interferência nos nossos assuntos internos".
