
Manifestante pró-Maduro protestam em Caracas contra a detenção
Foto: Federico Parra / AFP
Forças norte-americanos invadem Venezuela e capturam o líder. A incerteza mantém-se sobre sucessão, com vice-presidente Delcy Rodríguez a defender manutenção de chavista no poder.
Meses de uma campanha de pressão dos EUA contra a Venezuela culminaram, na madrugada deste sábado, numa operação militar de decapitação do Governo venezuelano, com a captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que serão julgados em Nova Iorque por alegado envolvimento no tráfico de drogas. A invasão de Caracas provoca incerteza sobre o futuro do país sul-americano, com dúvidas sobre quem liderará a nação perante ameaças de novos ataques.
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Antes da 1 hora da manhã em Caracas (6 horas em Portugal Continental), ouviram-se explosões na capital da Venezuela e arredores. Era o início da Operação Resolução Absoluta, que contou com 150 aeronaves das Forças Armadas norte-americanas que desativaram sistemas de defesa aérea venezuelanos. Bases militares foram bombardeadas e a unidade especial Força Delta invadiu um complexo militar em que Nicolás Maduro estava a residir, arrastando o chefe de Estado e a mulher. A ação durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Segundo a Imprensa norte-americana, a agência de serviços secretos norte-americana (CIA) tinha uma fonte dentro do Governo venezuelano que ajudou a precisar a localização de Maduro dias e momentos antes da incursão. Para além dos dados fornecidos por essa pessoa, a CIA monitorizava a posição do chefe de Estado com drones furtivos.
Após a captura, Maduro e Flores foram levados para o navio USS Iwo Jima. O líder do movimento chavista, bem como a primeira-dama e outros membros do Governo, incluindo o filho de Maduro, serão acusados, num tribunal de Manhattan, dos crimes de "conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse ilegal de armas". O presidente venezuelano e a primeira-dama chegaram ainda este sábado, ao início da noite, a Nova Iorque.

Base militar de Fuerte Tiuna, em Caracas, foi atacada
A operação ocorreu após meses de ataques dos EUA a barcos civis usados por alegados narcotraficantes. Washington, que acusa Caracas de estar por trás do fluxo de drogas, recentemente anunciou um bloqueio de petroleiros sob sanção que deixaram ou tinham como destino o país sul-americano, tendo apreendido pelo menos duas destas embarcações.
"Nunca seremos colónia"

Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela (Foto: Pedro Mattey / AFP)
Trump anunciou que os EUA vão negociar com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez (na fotografia acima), para uma transição, e deixou aberta a possibilidade de novos ataques a quem se mantiver leal a Maduro. No entanto, num discurso televisivo, a governante, interinamente no poder, sublinhou que "só há um presidente neste país, e o seu nome é Nicolás Maduro Moros". "Nunca mais seremos escravos, que nunca mais seremos colónia de nenhum império, seja qual for a sua natureza", acrescentou.
A principal figura da Oposição, María Corina Machado, disse que "chegou a hora da liberdade" para o país, defendendo a tomada de posse do candidato Edmundo González Urrutia. Sobre a vencedora do Nobel da Paz, Trump considera que, apesar de ser uma "mulher muito simpática", esta "não tem o apoio nem o respeito necessários dentro do país".

Imigrantes venezuelanos no Panamá comemoram golpe em Caracas (Foto: EPA)
Reações internacionais
As fronteiras da Venezuela foram encerradas após os ataques. A União Europeia e vários países, como África do Sul, Brasil, Colômbia, França e México, expressaram preocupação. Madrid ofereceu-se como mediadora, enquanto Berlim considerou a ação legalmente "complexa", Telavive qualificou Washington como o "líder do Mundo livre" e Roma tratou a captura como "legítima" e "defensiva". Irão, China, Rússia e Cuba condenaram a operação, com Havana a falar em "terrorismo de Estado". O Conselho de Segurança da ONU reunir-se-á na segunda-feira.

