
Foto: Daniel Mihailescu/AFP
O Departamento de Defesa (Pentágono) dos Estados Unidos planeia reduzir a participação do país em elementos da estrutura de forças da NATO e em vários grupos consultivos da aliança, de acordo com o "The New York Times".
O jornal nova-iorquino, que cita várias autoridades norte-americanas ligadas ao processo, referiu na terça-feira que este é o mais recente sinal da iniciativa da administração liderada por Donald Trump de reduzir a presença militar dos EUA na Europa.
A medida que irá ser divulgada em breve afetará cerca de 200 militares e diminuirá o envolvimento dos EUA em quase 30 organizações da NATO, incluindo os seus Centros de Excelência, que procuram treinar as forças da aliança atlântica em diversas áreas da guerra, de acordo com as fontes citadas pelo jornal, que falaram sob condição de anonimato.
Em vez de se retirar completamente de uma só vez, o Pentágono pretende não substituir o pessoal à medida que os seus postos terminam, um processo que pode demorar anos, de acordo com duas autoridades norte-americanas ligadas ao processo.
A participação dos EUA nos centros não terminará completamente, garantiram estas fontes ao " The New York Times".
Entre os grupos consultivos que sofrerão cortes estão os dedicados à segurança energética e à guerra naval da aliança, de acordo com três autoridades.
O Pentágono também reduzirá o seu envolvimento em organizações oficiais da NATO dedicadas a operações especiais e inteligência, segundo duas autoridades, embora uma das fontes tenha observado que algumas destas funções norte-americanas serão transferidas para outros locais dentro da aliança, limitando o impacto da medida.
A mudança está a ser equacionada há meses, de acordo com duas autoridades norte-americanas, uma das quais disse não estar relacionada com as crescentes ameaças do Presidente Donald Trump de tomar o território dinamarquês da Gronelândia.
As provocações de Trump atraíram uma ampla condenação de líderes europeus e de muitos legisladores no Congresso, que temem que o chefe de Estado republicano corra o risco de causar danos irreparáveis e desnecessários à aliança da NATO, da qual Portugal faz parte.
Durante uma conferência de imprensa na Casa Branca na terça-feira, Trump disse que a sua administração "encontraria uma solução que deixaria a NATO muito satisfeita e Washington muito satisfeitos" em relação à Gronelândia.
Insistiu ainda que os Estados Unidos precisam do território "para fins de segurança".
O "The New York Times" noticiou ainda que o Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto um porta-voz da NATO sublinhou, em comunicado, que "ajustes na postura e no efetivo das forças norte-americanas não são incomuns".
O porta-voz garantiu ainda que a aliança está em "contacto próximo" com Washington sobre a sua distribuição geral de forças.
Desde que Trump regressou ao cargo, os militares norte-americanos retiraram-se da Europa, enquanto o Governo pressiona os aliados para assumirem um maior controlo da defesa coletiva do continente.
No ano passado, por exemplo, o Pentágono anunciou abruptamente que iria retirar uma brigada de tropas da Roménia e cortar os programas de ajuda à segurança às três nações bálticas que fazem fronteira com a Rússia, cuja invasão da Ucrânia, que dura há anos, gerou receios de um conflito direto entre a NATO e o Kremlin, lembrou o jornal.
Sob pressão da administração Trump, a aliança concordou no Verão passado em aumentar as despesas com a defesa para 5% do PIB nos próximos 10 anos, incluindo 1,5% destinados a infraestruturas e outros projetos civis.
