EUA usaram laser contra balão de festa a pensar que era drone de cartel. Espaço aéreo do Texas foi encerrado

A autoridade aviação federal dos EUA encerrou esta quarta-feira o espaço aéreo em El Paso por dez dias, mas reverteu decisão
Foto: Aeroporto de El Paso
O repentino encerramento do espaço aéreo de El Paso, cidade norte-americana no Texas, na quarta-feira, foi causado por um laser antidrones que o Pentágono permitiu às autoridades fronteiriças utilizarem, mas sem avisar a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês). E, apesar de o Governo Trump alegar que estava a combater drones de cartéis mexicanos, a Imprensa revelou que um balão de festa foi abatido na operação que causou disrupção em vários voos comerciais.
O Departamento de Defesa autorizou a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) a usar, no início desta semana, um laser para abater dispositivos não tripulados, segundo duas fontes ouvidas pela agência Associated Press sob condição de anonimato. O equipamento foi utilizado perto da localidade texana de Fort Bliss, junto à fronteira com o México, sem coordenação com a FAA.
Sem ter sido avisada, a agência de aviação anunciou na quarta-feira que encerraria o espaço aéreo da cidade de 700 mil habitantes por dez dias. A medida foi revertida algumas horas depois, mas provocou atrasos nos voos e causou o cancelamento de sete chegadas e sete partidas.
O uso desta tecnologia ocorreu apesar de haver uma reunião agendada para o final do mês entre o Pentágono e a FAA, segundo pessoas familiarizadas com a questão, referidas pela agência de notícias.
De acordo com o jornal "The New York Times", os representantes da CBP acreditavam que atingiram um drone de algum cartel, mas, na verdade, era um balão de festa. Membros do Pentágono estavam presentes no momento do incidente, revelou uma fonte ao diário.
Apesar disso, a narrativa oficial ontem, divulgada pelo secretário dos Transportes, Sean Duffy, era de que o espaço aéreo foi fechado devido a uma incursão de drones de cartéis mexicanos. "A ameaça foi neutralizada", afirmou o governante.
A presidente do México disse, na quarta-feira, que o país estavam a investigar o caso. Claudia Sheinbaum acrescentou não ter "qualquer informação sobre o uso de drones na fronteira".
Contestação democrata
A congressista Veronica Escobar, cujo círculo eleitoral engloba a cidade de El Paso, afirmou na quarta-feira que a explicação dada pela Administração Trump foi diferente no Congresso. "As informações vindas do Governo não fazem sentido e não são as informações que consegui reunir durante a noite e esta manhã", sublinhou a democrata.
Parlamentares opositores da Comissão de Transportes da Câmara dos Representantes sugeriram ainda que o Pentágono poderia ser responsável pela situação, afirmando que a legislação de política de defesa permite que os militares norte-americanos "ajam de forma imprudente no espaço aéreo público".
O combate ao narcotráfico tem sido usado pelo Governo dos EUA para justificar ataques nas Caraíbas e no Pacífico contra barcos civis de alegados traficantes de droga. A classificação de cartéis como grupos terroristas foi usada como argumento ainda para a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que, segundo Washington, liderava um cartel - cuja existência nunca foi comprovada.
No caso do México, a classificação de cartéis como "narcoterroristas" é uma forma de tentar permitir operações militares dos EUA no país. Donald Trump não descarta ações terrestres das tropas de Washington, apesar da forte oposição da homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum.

