
A operação em Caracas ocorreu a 3 de janeiro
Foto: Pedro Mattey/AFP
O modelo de inteligência artificial Claude terá sido usado pelos Estados Unidos na operação que capturou Nicolás Maduro, causando dezenas de mortos em Caracas. A Anthropic reforça que qualquer utilização da IA deve respeitar as suas regras, proibindo violência e armas.
Foi a 3 de janeiro de 2026 que Nicolás Maduro foi alvo de uma operação militar norte-americana em Caracas, que resultou na morte de dezenas de pessoas e na sua captura. A ação incluiu bombardeamentos em várias zonas da cidade e levou também à detenção da mulher do então presidente, que foi igualmente levada para os Estados Unidos para enfrentar acusações, incluindo narcotráfico.
De acordo com fontes anónimas citadas pelo "Wall Street Journal", os militares terão contado com o apoio do modelo de IA Claude, desenvolvido pela Anthropic, para analisar dados e coordenar parte da missão, através da parceria da empresa com a Palantir Technologies, fornecedora de plataformas de dados ao Departamento de Defesa dos EUA.
Nem a Anthropic nem o Pentágono confirmaram o papel do Claude, que tem capacidades que vão desde processamento de documentos até apoio ao controlo de drones autónomos.
Crescimento e valorização da Anthropic
A Anthropic, fundada pelos irmãos Dario e Daniela Amodei, destacou-se no setor de inteligência artificial empresarial. Recentemente, a empresa levantou 30 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros) numa ronda de investimento avançada, conhecida como série G, que avaliou a tecnológica em 380 mil milhões de dólares (320 mil milhões de euros), pouco mais da metade do valor da OpenAI, proprietária do ChatGPT.
"O investimento vai impulsionar investigação de ponta, desenvolvimento de produtos e expansão de infraestruturas, mantendo a Anthropic na liderança da inteligência artificial empresarial e codificação", afirmou a empresa.
A série G foi liderada pelo GIC e pela Coatue, com a participação de mais de uma dezena de fundos, incluindo investimentos já prometidos pela Microsoft e Nvidia, na ordem dos 5 mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros) e 10 mil milhões de dólares (8,4 mil milhões de euros), respetivamente. Esta fase de financiamento é típica de empresas consolidadas que procuram reforçar infraestrutura, desenvolver produtos e expandir internacionalmente.
Do zero aos milhões
Em menos de três anos, a Anthropic passou de zero receitas para uma faturação anual de 14 mil milhões de dólares (11,8 mil milhões de euros), crescendo mais de dez vezes por ano. O modelo Claude multiplicou por sete a sua utilização no último ano, com clientes a gastar mais de 100 mil dólares (85 mil euros) anuais.
Entre esses clientes estão oito das empresas da Fortune 10, a lista das dez maiores corporações do mundo em termos de faturação anual, segundo a revista norte-americana Fortune. Este dado evidencia o alcance global do Claude e a relevância da Anthropic no mercado empresarial.
O uso crescente de inteligência artificial em operações militares tem levantado preocupações internacionais sobre ética e segurança. Especialistas alertam para os riscos de sistemas autónomos a decidir quem deve ser alvo em operações letais. A Anthropic defende regulamentação e cautela, garantindo que qualquer aplicação do Claude respeite regras rigorosas para prevenir danos indiscriminados.

