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O responsável pela comissão de migração e asilo do Parlamento Europeu, Claude Moraes, anunciou esta segunda-feira a falta de acordo para responder à crise dos refugiados pela União Europeia e avisou que o "tempo se está a esgotar".
"O tempo está a esgotar-se, a reunião de 8 de outubro é a última oportunidade para a União Europeia acordar uma resposta organizada para a maior crise de refugiados desde a segunda Guerra Mundial", afirmou o responsável, num comentário ao conselho extraordinário de ministros da Justiça e do Interior, em Bruxelas.
Segundo Claude Moraes, "é vergonhoso que alguns dos países mais ricos do mundo não se possam unir e ajudar aqueles que estão a fugir da guerra e das perseguições na Síria e em outros locais".
A decisão de fechar as fronteiras foi vista como uma consequência de os países estarem "relutantes em mostrar solidariedade na resposta para a crise".
Já o ministro luxemburguês da Imigração, Jean Asselborn, afirmou, esta segunda-feira, que uma larga maioria dos Estados-membros da UE concordou com as propostas de recolocação de refugiados que se encontram na Grécia e na Itália.
Na conferência de imprensa após o conselho extraordinário dos ministros da Justiça e do Interior, Asselborn lembrou que as propostas feitas pela Comissão Europeia ainda têm de ser avaliadas pelo Parlamento Europeu (PE).
Porém, o governante do país com a presidência da UE sublinhou a "larga maioria" de países que "deu o aval" para um "acordo de princípio" e recordou a realização de uma reunião em 8 de outubro, no Luxemburgo, para continuar a avançar no processo.
Para o início de outubro, o luxemburguês espera que sejam "acordados os números" quanto à proposta para a recolocação de 120 mil refugiados.
Segundo Asselborn, hoje poderá ter sido o "início para começar formalmente o processo" nomeadamente na definição de países seguros, uma lista que deve deixar a Turquia de fora devido à situação vivida com os curdos.
O governante lembrou estarem em cima da mesa dois textos acerca da recolocação de refugiados, informando que os ministros adotaram formalmente a recolocação dos 40 mil refugiados, alvo de compromisso em julho e de luz verde do PE na semana passada.
"É uma mensagem política muito importante", resumiu acerca do acordo sobre o menor número de pessoas a distribuir pelo espaço comunitário.
Neste conselho, os ministros deram resposta positiva aos pedidos de ajuda da Grécia para fazer face à situação dos refugiados no seu território, assim como decidiram aumentar o auxílio ao trabalho feito pelas Nações Unidas nos campos de refugiados junto da Síria.
Dimitris Avramopulos, comissário europeu para a Imigração, indicou, por seu lado, que "a maioria estava pronta para avançar, mas não todos".
