
O Exército brasileiro vai manter-se nos recém-reconquistados territórios das favelas de Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, até que seja possível instalar Unidades de Polícia Pacificadora. O reforço deve durar sete meses. A violência no Rio já fez mais de 50 mortos.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a permanência dos militares do Exército nos locais mais problemáticos até a Polícia local estar instalada e operacional.
Ontem, após a ocupação militar do Complexo do Alemão, a Polícia continuou a realizar várias operações de busca nas cerca de 30 mil casas do complexo, composto por 13 favelas, e revistando moradores. A missão pretendia recuperar armas e drogas deixadas por traficantes em fuga, informa a Imprensa brasileira.
Desde o início da operação, há nove dias, e segundo dados da polícia, foram registadas 51 mortes, a apreensão de 40 toneladas de haxixe, 200 quilos de cocaína, dez quilos de crack, 500 frascos de lança-perfume, dez mil munições de diversos calibres, 50 coletes à prova de bala, 16 metralhadores e 50 espingardas.
Apesar do sucesso da operação de ocupação de domingo, a Polícia acredita que ainda há traficantes no Complexo do Alemão, provavelmente escondidos em acessos subterrâneos ou em lojas, disfarçados de comerciantes. Outros terão fugido através da rede de esgotos.
Entretanto, os militares descobriram dois jipes que teriam sido usados por traficantes em fuga de Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. Segundo fonte da Polícia citada pelos jornais brasileiros, um dos veículos é blindado, tinha dois pneus furados e marcas de tiros. Entre as detenções de ontem, encontra-se um traficante do Morro do Juramento, conhecido como Nano, de 20 anos.
Ontem, os moradores do Complexo do Alemão começaram a retomar a sua rotina. O comércio, que esteve fechado nos últimos dois dias por causa dos tiroteios, reabriu. Contudo, as escolas da rede municipal permaneceram fechadas. Segundo o presidente da Câmara, Eduardo Paes, as aulas só deverão ser retomadas hoje.
Grande parte do conjunto de favelas do Alemão continuava ontem sem energia eléctrica. O corte ocorreu na manhã de sábado, dia que antecedeu a mega-operação no complexo. Moradores continuavam a queixar-se da falta de água.
Os camiões de recolha do lixo regressaram ontem às favelas, onde existem montanhas de lixo e os empregados municipais iniciaram a limpeza de ruas e vielas, numa grande operação na comunidade da Penha, como no conjunto de favelas do Alemão e bairros limítrofes.
