
Centenas de venezuelanos saíram à rua para protestar contra a falta de água potável e de gás doméstico na cidade de Valência, no Estado de Carabobo, 150 quilómetros a oeste de Caracas.
Exigindo a presença das autoridades, os manifestantes impediram a circulação pela autoestrada Este, exibindo cartazes de protesto pela má qualidade dos serviços públicos e do racionamento de energia elétrica e de água, colocaram entulho na via e incendiaram vários pneus.
Oficiais da Polícia de Carabobo (PoliCarabobo) e da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) tentaram reprimir os manifestantes com tiros de borracha e bombas de gás lacrimogéneo.
Nos confrontos, segundo fontes não oficiais, seis pessoas ficaram feridas, entre as quais um oficial da PoliCarabobo, que foi atingido por uma pedra junto à orelha esquerda.
Também esta terça-feira, estudantes da Universidade Católica de Táchira (UCAT) e da Universidade Nacional Experimental de Táchira (UNET), voltaram a protestar nas ruas da cidade de San Cristóbal, 840 quilómetros a sudoeste de Caracas.
No segundo dia consecutivo alunos da UNET voltaram a sequestrar um autocarro que foi colocado como barricada na estrada, para impedir o acesso à universidade. A viatura foi depois recuperada, sem danos, por oficiais da GNB.
Voltaram a registar-se confrontos entre polícias e manifestantes, que provocaram um número indeterminado de estudantes feridos.
Há mais de três meses que se registam protestos diários na Venezuela devido à crise económica, elevada inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, alegada ingerência cubana e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.
Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos, durante os quais morreram pelo menos 42 pessoas, incluindo dez polícias ou militares. Por outro lado, quase 900 pessoas ficaram feridas, mais de 3200 foram detidas, das quais mais de 220 continuam presas.
Mais de dez polícias foram detidos e estão em curso 197 investigações por alegadas violações de direitos fundamentais dos manifestantes.
