Filha de ex-presidente sul-africano investigada por recrutar civis para a guerra na Ucrânia

Filha de Jazob Zuma está atualmente a ser julgada por ter instigado os tumultos mortais na África do Sul em 2021
Foto: EPA
A polícia sul-africana anunciou domingo que investiga alegações de que uma filha do ex-presidente Jacob Zuma terá recrutado 17 homens para receberam treino em segurança na Rússia, mas que afinal foram combater na guerra contra a Ucrânia.
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De acordo com a porta-voz da polícia, Athlenda Mathe, uma declaração sob juramento apresentada pela irmã de Duduzile Zuma-Sambudla, Nkosazana Bonganini Zuma-Mncube, alega que esta e duas outras pessoas aliciaram os homens, dizendo que estes iriam receber treino de segurança na Rússia.
Segundo a declaração de Zuma-Mncube, os homens foram entregues a um grupo de mercenários russos e forçados a combater na guerra, sendo que oito dos homens são membros da família Zuma.
A porta-voz da polícia referiu que as acusações serão alvo de uma investigação minuciosa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Ronald Lamola, disse aos jornalistas, à margem da Cimeira do G20 em Joanesburgo, durante o fim de semana, que estavam em curso esforços diplomáticos com a Rússia e a Ucrânia para repatriar os cidadãos.
"A polícia deve investigar e quem estiver envolvido nisto deve ser preso", disse Lamola, acrescentando: "Não é uma situação fácil porque eles estão nas linhas da frente desta batalha, mas temos esperança de que haverá avanços".
O Governo da África do Sul disse, no início deste mês, ter recebido pedidos de socorro dos homens, com idades entre 20 e 39 anos, que disseram estar presos na região do Donbas, devastada pela guerra, no leste da Ucrânia.
Os homens tinham-se juntado a forças mercenárias sob o pretexto de contratos de trabalho lucrativos, disse o Governo sul-africano.
A Rússia tem sido acusada de recrutar homens de outros países para combater na guerra, sob o pretexto de lhes oferecer emprego.
Moscovo também tem sido acusado de enganar mulheres da África do Sul e de outros países africanos para trabalharem em fábricas russas de 'drones' (aeronave sem piloto), através de campanhas nas redes sociais que lhes prometiam empregos em áreas como restauração e hotelaria.
De acordo com a lei sul-africana, é ilegal que cidadãos e entidades ofereçam ou forneçam assistência militar a governos estrangeiros ou participem em exércitos de governos estrangeiros, a menos que autorizados pelo Governo de Pretória.
Zuma-Sambudla é membro do parlamento pelo Partido MK, que o seu pai fundou em 2023, após ter sido expulso do partido no poder, o Congresso Nacional Africano, que liderou de 2007 a 2017.
Ela está atualmente a ser julgada por alegadamente ter instigado, através das redes sociais, os tumultos mortais na África do Sul em 2021.
Zuma-Sambudla e o partido MK não responderam aos pedidos de comentário feitos pela Associated Press.
