
Foto: Imed Lamloum/AFP
Seif al-Islam Kadhafi, filho do antigo ditador líbio Muammar Kadhafi, e outrora apontado como seu sucessor, foi morto, esta terça-feira, em casa, em Zintan na Líbia, por quatro homens armados, segundo um dos seus advogados.
Marcel Ceccaldi, representante francês do político líbio de 53 anos, disse à agência France-Presse (AFP) que por enquanto desconhecia a origem dos homens armados.
No entanto, referiu que soube há cerca de dez dias, através de um dos colaboradores próximos de Saif al-Islam Kadhafi, que "havia problemas com a sua segurança".
Dois responsáveis de segurança líbios no oeste do país, citados sob anonimato pela agência Associated Press (AP), confirmaram a morte de Saif al-Islam Kadhafi, que era procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, na cidade de Zintan, a 136 quilómetros a sudoeste da capital líbia.
Khaled al-Zaidi, outro dos seus advogados, e Abdullah Othman Abdurrahim, que o representou no diálogo político mediado pela ONU para terminar o longo conflito no país, também anunciaram a sua morte nas redes sociais.
Abdurrahim corroborou o relato do advogado francês e precisou que quatro homens armados "invadiram a residência de Seif al-Islam Khadafi depois de desativarem as câmaras de vigilância e, em seguida, executaram-no".
Nascido em junho de 1972, em Tripoli, Seif al-Islam era o segundo filho do coronel e ditador que governou o país durante décadas até ser deposto e assassinado durante uma revolta popular em 2011.
Estudou num doutoramento na London School of Economics e era visto como a face reformista do regime de Kadhafi.
No entanto, a revolta que afastou o antigo líder líbio deu lugar a combates que se transformaram numa guerra civil e a um país mergulhado no caos e dividido entre grupos armados e milícias rivais.
Seif al-Islam Kadhafi foi capturado por combatentes em Zintan, no final de 2011, quando tentava fugir para o Níger e libertado apenas em junho de 2017, depois de um dos governos rivais da Líbia lhe ter concedido uma amnistia.
Um tribunal líbio condenou-o por incitar à violência e assassínio de manifestantes, sentenciando-o à morte à revelia em 2015.
Era também procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade relacionados com a revolta de 2011.
Em novembro de 2021, o político anunciou a candidatura à eleição presidencial, numa manobra polémica que gerou protestos das forças políticas anti-Kadhafi no oeste e leste da Líbia.
O Alto Comité Nacional de Eleições do país desqualificou-o entretanto e a eleição acabou por não ser realizada devido a disputas entre administrações rivais e grupos armados que governam a Líbia dividida desde a sangrenta deposição de Muammar Kadhafi.
