
Albino Azevedo tinha 63 anos
Foto: Albino Azevedo/Facebook
Albino Azevedo, de 63 anos, conduzia o autocarro que ardeu perto de Friburgo, na Suíça, na terça-feira. Ao que o JN apurou, o emigrante português, de Santa Maria da Feira, morava em Courgevaux, era casado e tinha dois filhos. Morreu na véspera do aniversário da mulher.
O português morreu após um homem imolar-se dentro de um autocarro, provocando seis mortos e cinco feridos. A filha, Liliana, revela que o pai "foi um herói". Numa publicação nas redes sociais, conta que Albino "fez tudo o que estava ao seu alcance, e ainda mais, para salvar vidas. Arriscou a própria vida para proteger os outros até ao fim". A vítima "era um homem de coragem e de um coração imenso".
Com uma "dor profunda e um vazio impossível de preencher", conta que o pai faz "uma falta imensa", mas que, "agora, está em paz, junto dos seus pais e do seu irmão". "Serás para sempre o nosso herói e ficarás eternamente nos nossos corações", conclui.
Também a mulher de Albino, conhecida como "São", confessa ter passado, ontem, o dia de aniversário "em lágrimas de tristeza".
Vítimas identificadas
A Polícia de Friburgo anunciou, na noite de quarta-feira, que as vítimas do acidente em Kerzers foram identificadas. Além de Albino, morreram uma locutora de rádio de 26 anos (Lara Baumgartner), uma mulher 39 anos e três homens, de 16, 29 e 65 anos, todos suíços.
Entre as cinco pessoas feridas estão dois homens de 34 e 61 anos e duas mulheres de 27 e 56 anos, também suíços, e ainda um homem de 32 anos de origem kosovar. Dois dos feridos - a mulher de 56 anos e o homem de 34 anos - continuam hospitalizados. Todos residem na região.
De acordo com o portal "20 Minuten", o suspeito de ter incendiado o autocarro, que morreu no local, era conhecido da polícia de Berna por consumo de droga. As autoridades suíças adiantaram, na quarta-feira, que o fogo tinha sido causado por um homem "marginal e perturbado" que se imolou, afastando motivações terroristas. "No que diz respeito aos motivos, não há absolutamente nenhum elemento que sugira que possa ser um ato terrorista", garantiram.
"Uma testemunha relatou que um homem, cuja investigação mostrou ser de origem suíça (...) entrou neste autocarro com sacos nas mãos. A certa altura, pulverizou-se com um produto inflamável e imolou-se", disse o procurador do cantão, Raphael Bourquin, numa conferência de imprensa em Granges-Paccot, perto de Friburgo, na quarta-feira.
Segundo a polícia, o alegado autor do fogo, residente em Berna, estava internado num hospital, do qual terá saído pelas 13 horas locais de terça-feira. A família do homem tinha "anunciado o seu desaparecimento".
Albino era um "colega valioso"
O acidente ocorreu num "autocarro postal" da PostBus, um serviço de transporte público icónico no país, que liga localidades rurais e montanhosas, assim chamado por ter sido criado para distribuir o correio.
Esta quinta-feira, o CEO da PostBus, Stefan Regli, lamentou o "trágico incêndio" que "abalou profundamente" a empresa, de acordo com uma publicação nas redes sociais.
Regli faz ainda uma referência a Albino, o português de 63 anos que conduzia o autocarro. Refere-se à vítima como um "colega valioso e parte da família PostBus", expressando "as mais profundas condolências à família".
Regli explicou à SRF (Rádio e Televisão Suíça alemã, em português) que, embora treinem os funcionários para emergências de incêndio, "uma situação como esta é de uma magnitude que não pode ser prevista numa simulação e nunca ocorreu antes". Ainda assim, garantiu que todos os veículos da PostBus estão equipados com medidas adequadas de proteção contra incêndio, incluindo extintores e martelos de emergência.

