Forças especiais britânicas acusadas de matar nove civis desarmados no Afeganistão

Serviço Aéreo Especial do exército britânicos são acusados de matar civis desarmados no Afeganistão em operações noturnas
Nipah Dennis / AFP
O Serviço Aéreo Especial (SAS) do exército britânico terá assassinado nove civis desarmados durante o sono numa operação noturna no Afeganistão, em 2011. A conclusão é de uma investigação independente e surge mais de um ano depois de uma reportagem da BBC avançar que esta unidade tinha morto ilegalmente 54 pessoas.
Esta unidade da defesa britânica matou ilegalmente nove pessoas desarmadas durante um ataque noturno no afeganistão, em 2011, segundo uma investigação independente citada pela BBC. Estas mortes ocorreram em Nad Ali, na região de Helmand, a 7 de fevereiro de 2011 quando as vitímas estavam a dormir num anexo com apenas um quarto.
Este inquérito surgiu a pedido do governo depois de a BBC revelar que o SAS tinha morto 54 pessoas em contornos suspeitos, ao longo se seis meses. Durante a sessão do julgamento, esta segunda-feira, os oficiais desta unidade das forças armadas foram acusados de "abusar de operações noturnas" com o objetivo de "cometer inúmeros homicídios ilegais" que eram depois "encobertos".
O advogado que conduziu as investigações, Oliver Glasgow KC, referiu a existência de sete missões de assassinato e captura que culminaram na morte de 33 pessoas, incluindo oito crianças entre 2010 e 2013.
As forças especiais argumentam que agiram em legítima defesa. Num relatório depois da operação, os militares afirmam que foram confrontados "por homens armados" e que tiveram de disparar. Os oficiais são acusados de colocar três armas no local do crime para incriminar as vítimas.
Na altura, um parecer do comité interno das forças armadas concluiu que a atuação foi "totalmente adequada" e que não era necessário mais investigações".
O advogado Oliver Glasgow KC alertou para o facto de a altura dos buracos das balas nas paredes da casa ser muito reduzida. Por outro lado, Habibullah Alizai, uma das pessoas que estava na mesma casa onde estavam as vítimas disse que acordou "com o estrondo dos disparos" antes de ser levado pelos soldados e ter sido "interrogado e agredido". Este homem perdeu dois filhos no ataque e foi o primeiro a descobrir os cadáveres. A vítima mais nova teria 14 anos, segundo a família.
As famílias garantem que se tratavam de civis inocentes, que ningém estava armado e que não havia armas no local. Oliver Glasgow KC referiu que o inquérito evidencia que as vítimas foram baleadas, muito provavelmente enquanto dormiam.
Um membro da família Saifullah que perdeu o pai, dois irmãos e um primo no ataque disse que tem "pesadelos" desde o dia do ataque e que a família quer saber "a verdade" sobre o que aconteceu e uma "explicação para ter de passar por esta crueldade".
O responsável pela mais recente investigação garantiu que vai "usar todos os seus poderes para garantir que, havendo informações crediveis de má conduta", os oficiais, independentemente da sua relevância dentro da instituição, são denunciados às autoridades competentes.
Este caso já foi objeto de duas operações judiciais. A primeira, em 2014, na qual estiveram envolvidos cerca de 100 oficiais da polícia militar, investigou dezenas de homicídios ilegais por parte do SAS, mas não houve nenhuma condenação.
A segunda investigou as mortes de quatro crianças em Helmond, em Outubro de 2012, às mãos dos militares do SAS, mas também não houve qualquer condenação.

