A França e a Alemanha manifestaram-se preocupadas com o resultado do referendo da Suíça para instituir quotas anuais para os imigrantes da União Europeia.
O "sim" ao endurecimento da política de imigração suíça, que prevê restrições que abrangem cidadãos de países da União Europeia ganhou no domingo, com 50,34% dos votos, num referendo em que a participação superou os 50%.
Na reação, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse que o voto provocará "uma quantidade de dificuldades para a Suíça", enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, avisou que "prejudicará a Suíça por ser egocêntrica".
Proposta pelo Partido de extrema-direita a União Democrática do Centro (UDC), a iniciativa suíça também restabelece o princípio da preferência pelo trabalhador nacional face ao estrangeiro, que se encontrava abolida para todos os trabalhadores oriundos de algum dos países da UE.
Embora não seja membro da UE, a Suíça adotou parte da política comunitária.
Ainda no domingo, a Comissão Europeia afirmou lamentar o resultado do referendo e avisou que vai "examinar as implicações dessa iniciativa nas relações UE-Suíça como um todo".
A liberdade de movimentos é um pilar do mercado único europeu, que representa mais de metade das exportações suíças.
A economia suíça está atualmente em crescimento e o desemprego é baixo, mas muitos suíços preocupam-se com a imigração.
No ano passado, 80 mil novos imigrantes chegaram à Suíça e os estrangeiros representam 23% da população, o que coloca o país no segundo lugar entre os Estados europeus com mais estrangeiros, depois do Luxemburgo.
A comissária da Justiça, Viviane Reding, disse ao Financial Times que "o mercado único não é um queijo suíço: não se pode ter um mercado único com buracos".
Por seu turno, Laurent Fabius declarou à rádio RTL que o resultado do referendo é "má notícia, tanto para a Europa como para a Suíça" e que a Europa irá "rever as suas relações" com a Suíça.
"É um voto preocupante porque significa que a Suíça quer fechar-se sobre si mesma (...) e é paradoxal porque a Suíça faz 60% do seu comércio externo com a UE", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Os acordos bilaterais entre a Suíça e a UE demoraram anos a negociar. Desde 2007, a maioria dos 500 milhões de residentes da UE estavam em pé de igualdade com os cidadãos suíços no acesso ao mercado de trabalho naquele país, em resultado de um a política aprovada em referendo em 2000.
No entanto, um movimento liderado pelo pela extrema direita conseguiu reverter o acordo, argumentando ter sido um erro enorme.
Os apoiantes das quotas acreditam que a livre circulação pressionou os custos da habitação, da saúde, dos transportes e da educação, tendo ao mesmo tempo levado à redução dos salários.
A iniciativa implica que os empregadores passem a dar preferência a cidadãos suíços, mas o Governo e as empresas dizem que a livre circulação é chave para o sucesso económico da Suíça porque permite aos empregadores escolherem trabalhadores qualificados de toda a Europa.
