
Foto: Clemens Bilan/EPA
Cerca de 20 pessoas morreram na Europa devido a uma das vagas de frio mais intenso dos últimos anos na Europa, onde foram suspensos muitos transportes e fechadas escolas, anunciaram as autoridades.
Um dos mais países afetados foi a Polónia, que enfrenta, há uma semana, uma intensa vaga de frio polar, com temperaturas noturnas a atingir os -20°C em várias regiões, tendo informado hoje que já registou 13 mortes por hipotermia, sobretudo de pessoas sem-abrigo.
A estes números juntam-se cinco mortes reportadas pela polícia e duas pelos serviços de socorro, apesar de muitas câmaras municipais terem convertido edifícios públicos em abrigos temporários e apelado a particulares e estabelecimentos turísticos para oferecerem abrigo aos mais vulneráveis.
O frio intenso levou à adoção de medidas de emergência extremas, como o encerramento de escolas em alguns concelhos, e algumas autarquias estão a disponibilizar aquecedores portáteis nas ruas para fornecer calor momentâneo aos peões, já que se espera uma descida das temperaturas para -25 graus Celsius, que deverá ser acompanhada de tempestades de vento e queda de neve.
O Reino Unido também acordou hoje com avisos de fortes nevões e ventos intensos, que, segundo as autoridades meteorológicas, podem representar um risco para a vida.
O impacto de uma tempestade com origem no Atlântico -- a 'Goretti', que só deverá atingir o resto da Europa a partir de sexta-feira - é esperado sobretudo no centro de Inglaterra, com implicações para as escolas, viagens e comércio, especialmente nas zonas mais rurais, onde também poderá provocar cortes de energia e interrupções no sinal de telemóvel.
As autoridades britânicas admitem também esperar um aumento do número de mortes, sobretudo entre pessoas com 65 ou mais anos ou com problemas de saúde, mas avisa que poderá também afetar gravemente as faixas etárias mais jovens.
Nos Países Baixos, onde a neve e o vento obrigaram a cancelar cerca de 700 voos na quarta-feira, mais de mil pessoas passaram a noite no aeroporto de Amesterdão-Schiphol, um dos maiores da Europa.
O aeroporto, onde foram cancelados inúmeros voos nos últimos dias, já admitiu esperar que o número de cancelamentos aumente ao longo do dia de hoje.
Neste país, também os transportes ferroviários estão gravemente afetados e as companhias nacionais de comboios estão a recomendar aos passageiros que adiem as viagens não essenciais.
Nas estradas, registavam-se mais de 700 quilómetros de engarrafamentos por volta das 09:00 locais (08:00 em Lisboa), o pior caso desde 10 de fevereiro de 1999.
A interrupção das viagens de comboio nos Países Baixos afetou também a Bélgica, com todos os passageiros com destino àquele país a ficarem retidos na última estação antes da fronteira, em Essen.
Na Bélgica, a neve também provocou interrupções nos transportes, obrigando ao cancelamento de 40 voos no Aeroporto de Bruxelas (Zaventem), o principal do país.
Em França, onde cerca de uma centena de voos foram cancelados na quarta-feira nos dois maiores aeroportos do país, as restrições de viagens, sobretudo ferroviárias, mantêm-se hoje ativas, assim como as reduções de velocidade nas linhas de alta velocidade.
Em Paris, foram registados congestionamentos de 960 km na quarta-feira, tendo hoje as autoridades aconselhado as pessoas a trabalharem a partir de casa, devido a previsões de mais neve e também de gelo negro, tendo camiões e autocarros escolares sido proibidos de usar as estradas.
Na capital, o Sena está tão gelado que foi possível um esquiador deslizar pelas margens do rio, e a neve nas ruas e parques em redor da Torre Eiffel e do Museu do Louvre restringiu as visitas.
Já a Alemanha, onde milhares de residentes de Berlim estavam sem eletricidade há quatro dias, voltou a garantir aquecimento e luz à capital, mas continua a alertar para as condições perigosas provocadas pelas tempestades.
Mais a sul, em Itália, os avisos de hoje das autoridades referem-se a frio intenso esperado, depois de dias de ventos violentos, neve e chuvas torrenciais.
O país, cujos termómetros já marcaram esta semana temperaturas de -23,1°C, viu hoje o sol regressar, mas o frio intensificou-se, obrigando a fechar dezenas de escolas.
Na Europa Central, o tráfego rodoviário e ferroviário foi novamente interrompido, levando ao cancelamento de 20 voos no Aeroporto de Budapeste durante a noite.
A agência meteorológica húngara previu fortes rajadas de vento e tempestades de neve em algumas zonas do país, com temperaturas que podem chegar aos -20°C.
Enquanto isso, o Ministério do Interior da Áustria -- onde está em vigor um aviso de frio extremo até sexta-feira - anunciou a morte de uma mulher de 47 anos, num acidente de viação causado pelo gelo.
A vaga de frio está a surpreender mesmo os países mais habituados a invernos rigorosos, como é o caso da Suécia, onde todas as linhas de elétrico de Gotemburgo, uma das principais cidades do país, foram suspensas.
Na Dinamarca, a polícia pediu aos "cidadãos que se preparem e que sigam as recomendações de segurança", e na Finlândia, as dificuldades para ligar autocarros a gasóleo e as más condições para conduzir levaram a cancelamentos e atrasos de autocarros na região de Helsínquia.
