
Foto: Official White House photo by Daniel Torok
Mudança em museu de Washington apaga dados sensíveis e abre polémica.
O jornal britânico "The Guardian" noticiou que a Smithsonian National Portrait Gallery, em Washington, procedeu à substituição do retrato e da legenda explicativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa decisão que está a gerar polémica nos meios culturais e políticos norte-americanos. Segundo a publicação, a nova imagem de Trump foi colocada no espaço dedicado aos presidentes, acompanhada por uma descrição minimalista, limitada aos anos de mandato, sem referências às duas tentativas de destituição nem aos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021.
De acordo com o jornal britânico, a anterior legenda incluía menções ao assalto ao Capitólio e ao processo político que marcou o fim do primeiro mandato de Trump. Essas referências desapareceram na nova versão, mudança que, para vários críticos citados pelo "The Guardian", pode representar uma tentativa de suavizar o registo histórico recente. Fotografias divulgadas mostram ainda o contorno da placa antiga na parede, indício de que a alteração foi feita de forma rápida.
Contexto de tensão
A direção da galeria afirmou que a troca de retratos e a revisão do texto fazem parte de uma política de rotação regular e de uniformização das legendas, agora em formato mais sintético. O "The Guardian" sublinha que a decisão surge num contexto de tensão entre a Administração Trump e várias instituições culturais, depois de o presidente ter criticado publicamente museus e dirigentes por alegada falta de neutralidade ideológica.
Especialistas em museologia e historiadores alertam que alterações desta natureza levantam questões sérias sobre a independência das instituições. A Smithsonian, financiada em grande parte por fundos públicos, garante que mantém autonomia editorial com revisão interna.

