Governo aconselha portugueses retidos no Médio Oriente a aguardarem por voos comerciais

Emídio Sousa explicou que o Governo compreende que as pessoas querem regressar, mas ressalvou que há condicionamentos
Foto: Pedro Correia
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse, esta terça-feira, à Lusa que os turistas portugueses retidos devido ao conflito no Médio Oriente têm de ter paciência e aguardar pela retoma dos voos comerciais.
Emídio Sousa explicou que o Governo compreende que as pessoas querem regressar, mas ressalvou que há condicionamentos e cancelamentos de voos comerciais, nomeadamente de ligação, em regiões como os Emirados Árabes Unidos, mas que as pessoas, neste momento, "têm de ter alguma paciência".
O Governante frisou que os voos estão a ser retomados e que as pessoas terão de aguardar.
A Lusa foi contactada por turistas nas Maldivas que acusam o Governo de resposta insuficiente e garantem que são poucos os voos comerciais disponíveis, que já estão lotados.
Questionado sobre se há a possibilidade de repatriamento, Emídio Sousa frisou que este está a ser preparado para os turistas na região do Médio Oriente, nomeadamente Israel, mas que estes encargos serão pagos pelos próprios repatriados.
"Tem de haver alguma paciência e compreensão nesta situação excecional", pediu.
Por fim, reiterou que a rede consular deve ser contactada, mas que há que aguardar que as companhias e agências de viagens formalizem percursos alternativos.
A agência Lusa foi contactada por um grupo de turistas portugueses nas Maldivas que afirma não saber como regressar a Portugal devido ao fluxo de voos comerciais, com escala nos Emirados Árabes Unidos, cancelados após os ataques dos EUA e Israel ao Irão e à retaliação de Teerão na região do Golfo Pérsico.
"Eu já contactei as autoridades portuguesas, no caso o consulado em Nova Dei [na Índia], por email, pois por telefone não atendem, mas, na verdade, as respostas que deram foram ou inconclusivas ou eu diria que praticamente não foram úteis", contextualizou à Lusa, por telefone, Flávio Ribeiro, que está nas Maldivas.
A resposta consular foi a de procurarem voos comerciais com outros destinos, no entanto, Flávio frisou que este tipo de voos, que partem da capital, Malé, estão "completamente lotados".
Flávio lamentou também ter ouvido o primeiro-ministro, Luís Montenegro, dizer na televisão que "nenhum português ficava para trás", afirmando que é precisamente assim que ele e a sua família se sentem.
Além da questão de não existirem voos comerciais para a região do Golfo Pérsico - uma escala para o regresso a Portugal - os hotéis estão também lotados e muitos portugueses estão a ficar retidos no aeroporto da capital, lamentou.
O advogado Pedro Marinho Falcão, de férias no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também critica as autoridades portuguesas.
"Eu e outros portugueses aqui no Dubai enfrentamos a incapacidade de arranjar meios de transporte para sair do Dubai com destino a Portugal e, sobre essa matéria, as embaixadas não nos dão nenhuma informação (...) E aquilo que nós portugueses, que estamos aqui e sentimos, é que não há, do ponto de vista do Estado português, nenhuma resposta ao problema", lamentou o advogado.
"Estamos totalmente abandonados. Temos uma comunicação que é feita através do WhatsApp comunitário da Embaixada portuguesa, mas as informações que nos dão são genéricas, e eu permiti-me enviar uma mensagem para esse WhatsApp, e recebi uma resposta genérica: 'consulte o nosso canal de comunicação'", frisou.
Na sua opinião, o Estado português não tem soluções para quem quer sair do Dubai e o Governo já devia ter acionado mecanismos.
Israel e EUA lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
