
Foto: Jairo Cajina/AFP
O governo da Nicarágua libertou "dezenas" de pessoas depois de a embaixada dos Estados Unidos na capital, Manágua, ter pedido a libertação de presos políticos, indica um comunicado publicado, este sábado, nos média oficiais.
Pelo menos 60 pessoas foram detidas na Nicarágua por comemorarem a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, segundo denunciou uma organização não-governamental e um jornal no exílio.
A missão diplomática norte-americana em Manágua lamentou na sexta-feira, numa mensagem na rede social X, que "mais de 60 pessoas" continuassem "injustamente detidas" na Nicarágua, enquanto a Venezuela libertou "um grande número de presos políticos".
No 'site' oficial, o governo nicaraguense anunciou que "dezenas de pessoas que se encontravam no sistema prisional nacional voltaram para casa".
O Presidente do país, Daniel Ortega, de 80 anos, completa hoje 19 anos consecutivos no poder, num segundo mandato que começou em 2007 e que co-preside com a mulher, Rosario Murillo, aliados declarados do líder venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos há uma semana, após uma intervenção militar no país.
De acordo com a agência EFE, o meio de comunicação local Divergentes confirmou a libertação de, pelo menos, 30 presos políticos, enquanto outros meios de comunicação referem um número menor de libertados.
O comunicado oficial assinala, por seu turno, que a libertação dos prisioneiros "é um símbolo do compromisso inabalável com o encontro, a paz e o direito de todos a uma convivência familiar e comunitária respeitosa e tranquila".
"A Venezuela deu um passo importante em direção à paz ao libertar um grande número de presos políticos. Na Nicarágua, mais de 60 pessoas continuam injustamente detidas ou desaparecidas, entre elas pastores, trabalhadores religiosos, doentes e idosos. A paz só é possível com liberdade!", escreveu a embaixada norte-americana numa mensagem na rede social X.
As autoridades norte-americanas sublinharam ainda que "a brutal ditadura Murillo-Ortega 'celebra' 19 anos do que deveria ter sido um mandato democrático de cinco anos".
"Os nicaraguenses votaram num presidente em 2006, não numa dinastia ilegítima vitalícia. Reescrever a Constituição e esmagar a dissidência não apagará as aspirações dos nicaraguenses de viverem livres da tirania", publicou, por seu lado, também na na rede X, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
