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O Governo da Autoridade Palestiniana divulgou, esta quinta-feira, um vídeo alegadamente mostrando membros das forças israelitas a executar dois jovens palestinianos na cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada.
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Segundo a Autoridade Palestiniana, tratou-se de assassínio "a sangue-frio".
Questionado pela agência de notícias espanhola EFE, o Exército israelita indicou estar "a rever o incidente" e relegou quaisquer perguntas para a polícia de Israel, que ainda não forneceu qualquer informação sobre o sucedido.
Summary Executions in occupied West Bank:
- Husam Zomlot (@hzomlot) November 27, 2025
Earlier today, Israeli occupation forces executed two young men after detaining them near #Jenin refugee camp following a military raid in the northern West Bank.
This is a war crime and part of a pattern across the occupied territory.... pic.twitter.com/iIfHFpqnIk
Num comunicado divulgado horas antes, o Exército tinha informado que a Polícia de Fronteiras estava a intervir na região de Jenin, no âmbito de uma "operação antiterrorista" no norte da Cisjordânia.
Segundo o comunicado, o Exército estava a auxiliar a polícia nesta operação com apoio aéreo.
Na mensagem do Governo da Autoridade Palestiniana, publicada na sua conta da rede social X e transmitida à imprensa, afirma-se que a execução dos jovens ocorreu depois de estes se terem entregado às forças israelitas.
"Uma execução extrajudicial, em flagrante violação do Direito Internacional Humanitário", sublinha-se na mensagem.
Segundo as agências internacionais, no vídeo, que ostenta o logótipo da estação televisiva egípcia Alghad, podem ver-se dois homens a sair de uma espécie de garagem, de joelhos e com as mãos na nuca, rodeados de homens fardados que lhes apontam as suas espingardas.
Mais adiante, ouvem-se vários tiros disparados pelos homens fardados sobre os detidos, que caem por terra imóveis.
Órgãos de comunicação social palestinianos também transmitiram as imagens, como foi o caso do canal Al-Quds, que garantiu que a cena foi filmada por jornalistas palestinianos a centenas de metros de distância.
Em Jenin, o Exército israelita matou na madrugada de terça-feira um palestiniano de 22 anos, acusando-o de assassinar um colono israelita em agosto de 2024, segundo um comunicado militar.
Além disso, as forças israelitas estão desde a madrugada de quarta-feira a realizar uma incursão militar na província de Tubas, também no norte da Cisjordânia, onde pelo menos 25 palestinianos ficaram feridos e cerca de 100 foram detidos, segundo o Governo palestiniano.
Após o ataque de proporções sem precedentes do movimento islamita palestiniano Hamas em território israelita, a 7 de outubro de 2023 -- que fez cerca de 1200 mortos e 251 reféns -, Israel tem realizado operações militares constantes no norte da Cisjordânia, resultando na deslocação forçada de pelo menos 32 mil palestinianos das suas casas nos campos de refugiados de Jenin, Tulkarem e Nur Shams, como foi recentemente denunciado pela organização não-governamental Human Rights Watch (HRW).
Israel afirma que estas operações visam manter sob controlo as milícias palestinianas, que classifica como terroristas, ao passo que as autoridades palestinianas condenam a deslocação de pessoas e o agravamento das restrições de circulação na Cisjordânia, que estão a afetar severamente a economia do território.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos morreram na Cisjordânia entre 7 de outubro de 2023, data do início da guerra na Faixa de Gaza, e meados de novembro deste ano, em ataques atribuídos a colonos violentos ou ao exército israelita.
Outubro registou mais ataques de colonos na Cisjordânia (264) do que qualquer outro mês desde a recolha de dados em 2006, coincidindo com raides de habitantes judeus violentos nos olivais do território durante a última campanha de colheita de azeitonas.
