
Greenpeace contesta abates de ursos "muito perto da fronteira com a Polónia"
Foto: Andrei Pungovschi / AFP/ Arquivo
A Greenpeace apresentou uma queixa à Comissão Europeia contra a Eslováquia, acusada de realizar "um abate ilegal" de ursos numa área perto da fronteira polaca.
O Governo eslovaco aprovou o abate de 350 ursos na primavera e a Agência Nacional para a Conservação da Natureza anunciou, esta quinta-feira, que foram mortos 201 até outubro.
A Greenpeace "apresentou uma queixa à representação permanente da Comissão Europeia em Varsóvia (...) contra o Governo eslovaco, porque estes abates de ursos ocorrem muito perto da fronteira com a Polónia", onde este animal é estritamente protegido, disse Katarzyna Bilewska, porta-voz da organização na Polónia, à agência France-Presse (AFP). Os ursos "atravessam muitas vezes a fronteira", referiu.
"A decisão do Governo eslovaco de proceder a um abate em massa de ursos viola a lei e ameaça a população desta espécie que vive na Polónia", que conta com cerca de 130 espécimes, segundo Aleksandra Wiktor, ativista da Greenpeace Polónia.
A Polónia pediu oficialmente à Eslováquia que se abstenha de matar ursos pelo menos dentro de uma zona fronteiriça de 30 quilómetros.
Eslováquia regista 20 ataques
O secretário de Estado do Ambiente da Eslováquia afirmou, numa conferência de imprensa, que "apenas dois" ursos "foram eliminados na zona fronteiriça com a Polónia nos últimos meses".
A Eslováquia é obrigada a seguir uma diretiva da União Europeia (UE) que permite a morte de ursos apenas quando estes causem danos materiais ou ameacem pessoas, e só se outra solução não for aplicável. O Governo eslovaco diz respeitar este quadro e recorda que foram registados cerca de 20 ataques desde o início do ano, causando vários feridos.
A Eslováquia tem entre mil e 1275 ursos, segundo dados oficiais. No ano passado, 92 ursos foram mortos neste país membro da UE, que tem uma população de 5,4 milhões de habitantes.
Quase 30 mortos na Roménia
Também a Roménia deu hoje luz verde ao abate de ursos que tenham "perdido o seu caráter selvagem" e não evitem o contacto com humanos, ao mesmo tempo que introduziu multas entre dois mil e seis mil euros para quem alimentar estes animais.
O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente romena, Diana Buzoianu, numa conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros ter aprovado várias medidas, por decreto de emergência, para reduzir o número de mortes humanas causadas por ataques de ursos e outros problemas decorrentes da crescente proximidade destes animais a zonas povoadas.
Desde 2004, 27 pessoas foram mortas e mais de 250 ficaram feridas, por ataques de ursos, de acordo com dados oficiais. "É um problema que a Roménia enfrenta há anos. Estamos a tentar encontrar uma solução equilibrada" entre a proteção da biodiversidade e a segurança dos cidadãos, disse a ministra.
Além disso, embora o urso pardo seja mantido como uma espécie protegida, é permitido o abate imediato de ursos que entrem em áreas urbanizadas e sejam considerados um perigo para a vida das pessoas.
"Apenas serão extraídos os espécimes com comportamento desviante, que perderam o seu caráter selvagem, não estão habituados a obter o seu alimento na natureza, mas sim de localidades, ocasião em que muitas vezes se tornam agressivos, atacando pessoas e animais domésticos", lê-se no decreto.
Os novos regulamentos vêm juntar-se a outros adotados em anos anteriores, como a instalação de vedações elétricas.
No ano passado, Bucareste pediu à Comissão Europeia que reavaliasse o estatuto de proteção desta espécie e aprovou o abate de 426 espécimes por ano para 2024 e 2025, além de outros 55 em defesa direta da vida humana, especificados como "casos de emergência".
Para muitos, a proteção do urso pardo levou a um crescimento excessivo desta população, até cerca de 12 mil exemplares, o triplo do que o Governo considera ideal para o país. As autoridades romenas aguardam os resultados de um novo estudo sobre a dimensão da população atual de ursos no país, com base em testes de ADN recolhidos nos últimos dois anos.
