Guerra dos livros nos EUA continua. Pink vai dar obras proibidas durante concertos na Florida

Cantora diz que desde criança os livros têm sido uma "alegria especial" na sua vida
Christian Petersen / Getty Images via AFP
A cantora Pink vai dar aos fãs cerca de duas mil cópias de quatro livros que foram proibidos por algumas escolas da Florida, durante os concertos de terça e quarta-feira.
Pink juntou-se à ONG Pen América, dedicada à defesa da liberdade de expressão dos autores, para oferecer cópias de quatro livros presentes na lista de obras proibidas, nos concertos de Miami, esta terça-feira, e em Sunrise, na quarta-feira.
As obras em questão são : “Beloved” , de Toni Morrison, um romance de 1987, que venceu o prémio Pulitzer, e que fala sobre a escravidão; “The Family Book”, de Todd Parr, um livro para crianças sobre a diversidade de famílias; “The Hill We Climb” de Amanda Gorman, a publicação/ poema escrito para a posse do presidente Joe Biden, e “Girls Who Code”, de Reshma Saujani, que apesar de não aparecer na lista elaborada pela Pen América, foi removido temporariamente na Pensilvânia.
Em comunicado divulgado pela associação, a estrela pop revela que “os livros têm sido uma alegria especial” para si desde que é criança e não está disposta a “ficar parada enquanto os livros são proibidos nas escolas”.
Na perspetiva da cantora, as medidas tomadas pela Florida são “confusas, irritantes e censura” e ”é abominável ver as autoridades atacarem livros sobre racismo e autores negros e LGBT +”.
A oferta de Pink surge num momento em que se vive uma "guerra dos livros" nas escolas dos EUA, principalmente na Florida. Em outubro, as reuniões do conselho educativo de várias escolas desse estado ficaram marcadas pela disputa entre os grupos conservadores contra a leitura de livros que consideram ser inapropriados e os alunos e pais que são a favor da leitura dessas obras literárias.
Grupos como as Mães pela Liberdade manifestaram-se, lendo em alta voz passagens explicítas dos livros, sem contexto, para que as escolas os banam. Por outro lado, os defensores da liberdade de acesso a títulos mais polémicos argumentam que os mesmos devem ser lidos, revelou, na altura, a CNN Internacional.
Segundo a Pen América, quase metade das escolas da Florida, o estado com mais proibições, tiveram “casos de proibição de livros”, o que representa 40% dos livros banidos em todo o país.
Apesar do departamento de educação do estado dizer que “não bane livros”, o governador da Florida e possível candidato a presidente dos EUA, referiu, em março, que “é importante expor a farsa da proibição de livros, porque revela que alguns estão a tentar usar as escolas para doutrinação".
No Texas, o último caso polémico foi o de uma professora despedida por ler uma versão do "Diário de Anne Frank", com passagens consideradas "inapropriadas".
As escolas que baniram obras argumentaram a decisão com a lei “Não digas Gay”, que proíbe a educação sobre orientação sexual ou identidade de género.

