
Invasão israelita destruiu a Faixa de Gaza
Foto: Eyad Baba / AFP
Há quatro meses, vários países, sob pressão dos EUA, assinaram um acordo de paz para acabar com o conflito que destrói Gaza, desde o atentado de 7 de outubro de 2023. A partir desse momento, as armas passaram a soar mais baixo, mas nunca se calaram verdadeiramente. Até à assinatura do cessar-fogo, 10 de outubro de 2025, morreram perto de 72 mil cidadãos e contabilizaram-se 172 mil feridos. Desde esse dia até agora, já morreram mais 578 palestinianos e cerca de 1570 ficaram feridos.
O plano de 20 pontos, elaborado por Donald Trump, para pôr fim ao confronto em Gaza contou com negociações entre o Egito, Catar, Turquia e delegações de Israel e Hamas como mediadores. Aprovado pelo Governo israelita, após largas horas de conversação, prevê três fases até uma estabilização total da região. De acordo com o tratado, a primeira fase implicava o cessar-fogo em 24 horas, a libertação de todos os reféns por parte do Hamas em 72 horas, um aumento no envio de ajuda humanitária e o recuo das tropas israelitas de forma faseada, começando pelo território delimitado pela "linha amarela".
A fronteira interna criada pelas Forças de Defesa de Israel, que se estende entre 1,5 a 6,5 quilómetros, restringe a área de circulação dos habitantes palestinianos, sob ameaça de serem um "alvo" a atingir caso se aproximem da demarcação. O limite, inicialmente, temporário, continua a levar à morte de civis com a justificação, por parte de Israel, de travessia ou de ataque do Hamas.
A segunda fase do processo envolve ainda uma administração palestina tecnocrata de transição em Gaza, que já tomou posse, a reconstrução do enclave, num processo que ultrapassará os 42 mil milhões de euros, a reabertura do posto fronteiriço de Rafah e o desarmamento do Hamas. Esta última questão a suscitar novas questões, com a milícia a defender o direito de autodefesa e, segundo o "The New York Times", os EUA estarão preparados para permitir que os islamitas mantenham as armas ligeiras, acabando apenas com o arsenal capaz de atingir Israel.
Na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, a violência cresce e Israel expande a área dos colonatos. "Cerca de 50 colonos israelitas chegaram, a empurrar todos para fora antes de destruir as casas", descrevia ontem um morador de uma aldeia perto de Jericó, à agência de notícias francesa AFP.
