
Remo Casilli/REUTERS
O sismo de quarta-feira causou mais de 250 mortos e devastou algumas povoações no centro de Itália. As equipas de resgate estão numa corrida para encontrar sobreviventes e já tiraram 215 pessoas com vida dos escombros.
"Mas o que temos a perder agora? Perdemos a nossa casa. Tantos familiares e amigos que estão mortos. Nós perdemos tudo, até o nosso medo", diz uma sobrevivente do terramoto de quarta-feira de madrugada, no centro de Itália.
Mónica, que estava a dormir no carro quando os abalos começaram a sentir-se, conta que perdeu vários entes queridos na tragédia. Sobreviveu na rua, dentro da viatura.
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Esta é apenas uma das histórias de sobrevivência que se vão conhecendo com o passar do tempo. Um dos casos mais dramáticos aconteceu em Pascara del Tronto, uma das povoações mais destruídas pelo sismo de quarta-feira.
Deu a vida pela irmã mais nova
Giulia, de oito anos, abraçou a irmã mais nova para a proteger quando a terra começou a tremer. Giorgia, de 4 anos, foi resgatada com vida e sem nenhum ferimento. Durante várias horas teve o corpo da irmã mais velha em cima, a protegê-la da morte.
A irmã mais velha não sobreviveu.Giulia e Giorgia viviam em Roma estavam a passar férias com os avós.
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Algumas das vítimas do sismo são turistas ou antigos residentes que deixaram a pequena cidade nas montanhas para trabalhar em grandes cidades, como por exemplo, Roma. Vários estavam a passar as férias de agosto com familiares.
A irmã Mariana, freira do convento de Amatrice, é protagonista de uma das fotos mais partilhadas nas últimas horas. Mariana, duas outras freiras e uma mulher idosa escaparam a tempo.
Quando a terra começou a tremer protegeram-se debaixo de uma mesa. No entanto, no momento em que sentiram as suas vidas estavam em perigo, começaram a correr. "Nós salvamo-nos umas às outras, demos as mãos enquanto tudo se estava a desmoronar e corremos. Corremos e sobrevivemos", conta.
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Segundo Mariana ainda estão desaparecidas três freiras e quatro mulheres idosas, que estavam no convento.
"O murmúrio do mal"
O "murmúrio do mal" deixou as famílias em pavor. É assim que uma turista polaca chama ao barulho do sismo. "Eu vou sempre lembrar-me murmúrio do mal e das paredes a mexerem-se", disse. Ela, o marido e o filho de cinco anos, protegeram-se debaixo de um balcão e conseguiram sobreviver. Numa entrevista, refere ainda que os vizinhos do lado e o seu neto de 13 anos, morreram.
As equipas de salvamento vão continuar em busca de sobreviventes. Ainda ontem uma menina de 10 anos foi resgatada com vida depois de estar 17 horas debaixo de escombros.
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Segundo, Christian Bianchetti, membro dos bombeiros,"90% das pessoas encontradas estão mortas, mas algumas sobrevivem, e é por isso que aqui estamos".
Cão não abandonou posto de guarda
Alguns animais já foram também resgatados. Segundo o site italiano de animais, "La Stampa", um cão chamado Bravo foi retirado com vida dos escombros. Quando o sismo começou, o animal não saiu do seu posto de guarda e manteve-se de vigia nos escombros da casa.
No momento de salvamento ainda rosnou para a equipa, porque sentiu o seu território invadido. O animal está agora a ser tratado por ferimentos graves numa perna.
