A jornalista Vera Marsicano, de 45 anos, decidiu, em cima da hora, não embarcar no voo 447 da Air France que a levaria até Paris e que está desaparecido desde a manhã desta segunda-feira.
"Eu tinha reserva para o voo, mas na última da hora resolvi ficar mais um dia em Porto Alegre em vez de passar o domingo viajando", explicou, ontem, no aeroporto de Tom Jobim, no Rio de Janeiro, quando se preparava para embarcar, finalmente, num voo rumo a França, às 16.20 horas. Segundo contou a repórter à BBC Brasil, é habitual marcar e desmarcar viagens ou marcar o voo em cima da hora. Desta vez, sente-se "bastante aliviada" por tê-lo feito uma vez mais. Vera Marsicano trabalha em assessoria de eventos em Paris e divide o seu tempo entre o Brasil e a capital francesa. Há cinco meses que estava no Brasil. Agora, deverá passar uma temporada de dois meses a trabalhar em França.
Voo lotado salvou casal francês
O conhecido endocrinologista francês Claude Jaffio e a mulher, Amina, não embarcaram no voo 447 da Air France porque este estava lotado. O casal contou ontem, à agência noticiosa France Press, que "moveu céus e terras" para conseguir dois lugares naquela viagem, depois de ter decidido regressar mais cedo a Montpellier (França). "Estávamos em Brasília e decidimos encurtar a nossa estadia e voltar para Montpellier", afirmou Claude Jaffio, que visitava a capital brasileira como turista, depois de ter participado num congresso médico no Rio de Janeiro. "Tivemos uma sorte inusitada", acrescentou a mulher, Amina. "Olhando para trás, sentimos medo e os nossos pensamentos estão com todos os que estavam no avião", sublinhou, dizendo que irá sentir alguma "apreensão" sempre que entrar num avião.
Passaporte caducado salvou-lhes a vida
João Marcelo Calçada, um analista judiciário de 37 anos, não embarcou porque, duas horas antes do fazer o check-in, percebeu que o seu passaporte estava caducado. Com ele viajaria o norte-americano Thomas Blair, 43 anos, que acabou por desistir da viagem em cima da hora. O analista judiciário do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que se encontra de férias, só percebeu o que se passou com o avião em que deveria embarcar quando, ao ligar o telemóvel de manhã, estranhou ter 25 chamadas não atendidas. "Pensei na hora que poderia ter acontecido alguma coisa com o voo. Liguei a televisão e senti um calafriocom as informações ao vivo sobre o acidente", relatou este cidadão brasileiro, que está a fazer um mestrado em Espanha e cuja viagem, em férias, serviria para resolver alguns problemas burocráticos relativos ao curso.
