
Foto: Nikolay Doychinov/AFP
Iliana Yotova tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de Estado da Bulgária, após a demissão de Rumen Radev na segunda-feira, um ano antes do final do seu segundo mandato de cinco anos.
Radev anunciou a sua demissão e declarou a sua intenção de concorrer às eleições parlamentares, as oitavas em cinco anos, que o país deverá realizar em março ou abril.
Yotova, que até então era vice-presidente, assumiu hoje o cargo de chefe de Estado, depois de o Tribunal Constitucional ter aceitado a demissão de Radev.
A nova presidente e comandante supremo das Forças Armadas nasceu em 24 de outubro de 1964. Era jornalista antes de se juntar ao Partido Socialista, sucessor do Partido Comunista [que atuou durante a ditadura, que terminou em 1989].
Iliana Yotova, de 61 anos, já desempenhou funções como membro do Parlamento búlgaro, membro do Parlamento Europeu e, mais recentemente, como vice-presidente.
A chefe de Estado terá agora de nomear um primeiro-ministro tecnocrata para chefiar um governo interino e marcar a data das eleições parlamentares, após a demissão do governo em dezembro passado, depois de pouco mais de um ano no poder, pressionado por protestos maciços da população.
A Bulgária também realizará eleições presidenciais este ano para escolher o sucessor de Radev.
O chefe de Estado cessante, um antigo oficial militar considerado pró-Rússia, teve vários desentendimentos com sucessivos governos nos últimos anos.
"A nossa democracia não sobreviverá se a deixarmos nas mãos de indivíduos corruptos e extremistas. Depende do empenho pessoal de cada um de nós e a confiança que depositaram em mim obriga-me a proteger o Estado, as instituições e o nosso futuro", declarou Radev ao anunciar a sua demissão.
A Bulgária, um dos países mais pobres e corruptos da União Europeia (UE), está mergulhada numa grave crise política há cinco anos devido à falta de maiorias parlamentares sólidas, causada por divisões entre as forças sobre questões como a corrupção e o apoio ou não à Rússia na sua agressão contra a Ucrânia.
O país adotou o euro como moeda oficial em 01 de janeiro, uma medida que o atual Governo interino descreveu como definitiva no processo de adesão à União Europeia, da qual é membro desde 2007.
