
Chamas chegaram a zonas urbanas
Foto: AFP
Mais de 20 incêndios no sul do Chile estão a destruir enormes áreas de floresta e bairros inteiros nas regiões de Nuble e Biobío, a cerca de 500 quilómetros da capital, Santiago. Segundo o mais recente balanço, 16 pessoas morreram e mais de 50 mil tiveram de abandonar as casas, devido às chamas, que, atualmente, ainda lavram de forma descontrolada.
Para mobilizar recursos com menores restrições para este combate, as duas regiões encontram-se em estado de emergência. "Perante os graves incêndios em curso, decidi declarar estado de catástrofe nas regiões de Ñuble e Biobío. Todos os recursos estão disponíveis", escreveu, nas redes socais, o presidente do país, Gabriel Boric. Por enquanto, o ministro do Interior chileno, Álvaro Elizalde, considerou que ainda se enfrenta uma "situação complicada", com mais de 20 mil hectares de área já consumida pelas chamas.
Alicia Cebrian, diretora do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Catástrofes, disse que a maioria das evacuações ocorreu nas cidades de Penco e Lirquen, em Biobío, que têm uma população conjunta de cerca de 60 mil pessoas. Imagens transmitidas pela televisão e de fotojornalistas no local mostram as chamas em ambas as cidades, com carros carbonizados nas ruas e bairros completamente destruídos pelo fogo.

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Histórico de incêndios
Os incêndios florestais têm afetado gravemente o centro-sul do Chile nos últimos anos. Em fevereiro de 2024, vários incêndios deflagraram simultaneamente perto da cidade de Vina del Mar, a noroeste de Santiago, provocando 138 mortos, segundo o Ministério Público. Cerca de 16 mil pessoas foram afetadas por esses incêndios, segundo as autoridades.
Em 2023, 144 elementos de uma Força Operacional Conjunta portuguesa - que contou com elementos da Proteção Civil, GNR, Força Especial de Proteção Civil, INEM e corporações de bombeiros de Lisboa e Vale do Tejo, entre outras instituições - juntaram-se aos operacionais chilenos no combate às chamas na zona de Santa Ana, precisamente na região de Biobío, agora afetada novamente pelo fogo.
Na altura, Mário Silvestre, comandante da missão portuguesa, deu conta que no Chile "o coberto vegetal é muito parecido com o Norte de Portugal, assim como a orografia". No caso concreto do incêndio de Santa Ana havia "poucos caminhos" e a complexidade estava "muito alicerçada na falta de mobilidade dos meios no terreno".
