Irão decreta três dias de luto pelos membros das forças de segurança mortos nos protestos

Foto: AFP
O governo iraniano decretou, este domingo, três dias de luto nacional pelos "mártires da resistência", referindo-se aos membros das forças de segurança mortos durante os protestos, e convocou manifestações pró-regime para segunda-feira, anunciou a televisão estatal.
O governo iraniano descreveu a luta contra o que chama de "motins" como uma "batalha de resistência nacional iraniana contra os Estados Unidos e o regime sionista", título sob o qual costuma designar Israel.
O presidente Massoud Pezeshkian exortou a população a participar na segunda-feira numa "marcha de resistência nacional" de apoio à República Islâmica com manifestações em todo o país para denunciar a violência cometida, segundo ele, por "criminosos terroristas urbanos".
Os protestos no Irão começaram em 28 de dezembro, impulsionados pela crise económica resultante da queda do valor da moeda (o rial) e da elevada inflação, entre outros fatores.
Com o passar dos dias, as manifestações também assumiram um caráter político de crítica ao regime dos aiatolas.
Ativistas dos direitos humanos anunciaram hoje que a repressão dos protestos já fez pelo menos 538 mortos, avisando que o número deve ser maior já que o corte da Internet desde quinta-feira no país está a dificultar a contagem.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou hoje ao Irão para se "abster do uso da força desnecessária ou desproporcionada".
Além das vítimas mortais, os protestos resultaram na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes, de acordo com a Human Rights Activists News Agency.
