
Palestinianos a fugir de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza
Foto: Said Khatib / AFP
O líder da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA) acusou Israel de estar a preparar as bases para a expulsão em massa dos habitantes de Gaza para o Egito, uma acusação que Israel disse ser "simplesmente falsa".
Mais de dois meses de guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelos ataques do grupo terrorista a 7 de outubro, provocaram a deslocação da maior parte da população de Gaza, mas os palestinianos estão em grande parte impedidos de deixar o estreito território sitiado.
Num artigo de opinião publicado no sábado no "Los Angeles Times", o líder da UNRWA, Philippe Lazzarini, salientou o agravamento da crise humanitária em Gaza e a crescente concentração junto à fronteira de civis deslocados que fugiram dos combates, primeiro no norte e depois mais a sul.
"As Nações Unidas e vários Estados membros, incluindo os EUA, rejeitaram firmemente a deslocação forçada de Gaza para fora da Faixa de Gaza", disse Lazzarini. "Mas os desenvolvimentos a que estamos a assistir apontam para tentativas de deslocação dos palestinianos para o Egito, independentemente de ficarem lá ou de serem reinstalados noutro local".
A destruição generalizada no norte do território palestiniano e as deslocações daí resultantes foram "a primeira fase desse cenário", acrescentou, enquanto que forçar os civis da cidade de Khan Yunis, no sul, a aproximarem-se da fronteira egípcia foi a fase seguinte.
"Se este caminho continuar, levando ao que muitos já chamam de uma segunda Nakba, Gaza não será mais uma terra para os palestinianos", disse Lazzarini, usando o termo árabe para o êxodo ou deslocação forçada de 760 mil palestinianos durante a guerra que coincidiu com a criação de Israel em 1948.
Em resposta a esta acusação, um porta-voz do gabinete do Ministério da Defesa israelita, responsável pelos assuntos civis palestinianos afirmou, que "não existe, nunca existiu e nunca existirá um plano israelita para transferir os residentes de Gaza para o Egito. Isso simplesmente não é verdade".
"Reinstalação voluntária"
O ministro israelita dos Serviços Secretos, Gila Gamliel, disse no mês passado que uma "opção" após a guerra seria "promover a reinstalação voluntária dos palestinianos de Gaza, por razões humanitárias, fora da Faixa".
Antigos funcionários israelitas sugeriram em entrevistas televisivas que o Egito poderia construir vastas cidades de tendas no deserto do Sinai, com financiamento internacional.
Um pequeno número de habitantes de Gaza foi autorizado a atravessar para o Egito para receber tratamento médico, e alguns estrangeiros retidos no território no início da guerra também foram autorizados a evacuar através da passagem de Rafah - o único posto fronteiriço de Gaza que não está sob controlo israelita.
No entanto, os outros palestinianos estão atualmente impedidos de sair, com os cerca de 1,9 milhões de deslocados do território - de uma população total de 2,4 milhões - a transformarem a cidade fronteiriça de Rafah num campo de refugiados.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelo sangrento ataque do Hamas a Israel, a 7 de outubro, que causou 1200 mortos e 240 reféns, segundo as autoridades israelitas.
Em resposta, o país prometeu eliminar o Hamas e a campanha militar que se seguiu matou pelo menos 17.700 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, dirigido pelo Hamas.
Os grupos de ajuda humanitária lançaram o alarme sobre a situação humanitária "apocalíptica" no território estreito, alertando para o facto de estar prestes a ser dominado pela doença e pela fome.
