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Israel reabriu, este domingo, parcialmente a fronteira de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, vital para a ajuda humanitária e para o avanço do cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
No entanto, por enquanto, a passagem pelo posto fronteiriço terá muitas limitações e o acesso será limitado a residentes no território e sob condições rigorosas.
A reabertura de Rafah, a única fronteira entre Gaza e o mundo exterior que contorna Israel e está encerrada desde a primavera de 2024, tem sido fortemente reivindicada pelas Nações Unidas e por organizações não-governamentais para permitir o acesso da ajuda humanitária ao território palestiniano devastado por dois anos de guerra.
Israel anunciou hoje a reabertura da passagem fronteiriça "em conformidade com o acordo de cessar-fogo", mas limitada à "passagem de residentes" da Faixa de Gaza.
Segundo um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, "aproximadamente 200 doentes" aguardavam a reabertura da fronteira para viajarem para o Egito em busca de tratamento.
Cerca de 40 funcionários da Autoridade Palestiniana aguardavam também desde o Egito a luz verde israelita, disse um responsável palestiniano à France Presse.
O dia de hoje na fronteira será dedicado sobretudo aos preparativos e questões logísticas até uma reabertura mais completa na segunda-feira.
Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinianos esperam finalmente poder sair. Cerca de 20.000 crianças e adultos palestinianos que necessitam de cuidados médicos esperam deixar Gaza através desta passagem e milhares de outros palestinianos fora do território esperam regressar a casa.
"A cada dia que passa, o meu estado agrava-se e a minha vida está a desvanecer-se", lamenta Mohammed Shamiya, um homem de 33 anos que sofre de doença renal e necessita de diálise.
A reabertura da fronteira deverá permitir também a entrada em Gaza dos 15 membros da Comissão Nacional para a Administração de Gaza, encarregados de gerir o território durante um período de transição sob a supervisão do 'Conselho de Paz' presidido por Donald Trump.
Rafah está encerrada desde que as forças israelitas assumiram o seu controlo, em maio de 2024, com exceção de uma reabertura limitada no início de 2025, como parte de uma trégua anterior que não teve seguimento.
A reabertura completa faz parte do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para terminar definitivamente a guerra que começou em 07 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas contra Israel.
Israel tinha avisado que Rafah não seria reaberta até que o corpo de Ran Gvili, o último refém mantido em Gaza desde o início do conflito, fosse devolvido. O seu corpo foi finalmente devolvido em 26 de janeiro.
Esta reabertura, bastante limitada, ocorre no meio de um cessar-fogo extremamente frágil entre Israel e o movimento islamista palestiniano Hamas.
No sábado, ataques aéreos israelitas mataram 32 pessoas, segundo a Defesa Civil de Gaza, num dos dias mais sangrentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025. Israel alegou estar a responder a violações do cessar-fogo.
