
Don Lemon, jornalista e ex-apresentador da CNN
Foto: Patrick T. Fallon
O jornalista e ex-apresentador da CNN Don Lemon e outras quatro pessoas deverão ser formalmente acusados, esta sexta-feira, de violações de direitos civis, na sequência de um protesto contra um agente de imigração no Minnesota.
Entre os visados encontra-se também a advogada e ativista dos direitos civis Nekima Levy Armstrong, cuja audiência também decorre hoje.
Armstrong foi alvo de uma imagem falsa manipulada, divulgada nas redes sociais oficiais da Casa Branca, que a mostrava a chorar durante a sua detenção.
A fotografia integra um conjunto de conteúdos alterados com recurso a inteligência artificial que circularam após os homicídios de Renee Good e Alex Pretti por agentes federais em Minneapolis, num contexto de reforço das operações de imigração promovidas pelo Governo do Presidente Donald Trump.
O protesto ocorreu a 18 de janeiro na Cities Church, em St. Paul, quando manifestantes interromperam um culto religioso com palavras de ordem como contra o Serviço de Imigração (ICE)" e pedindo"justiça para Renee Good", em referência à mulher de 37 anos, mãe de três filhos, abatida a tiro no mês passado.
Lemon afirmou não ter ligação ao grupo organizador e sustentou que se encontrava no local - uma igreja no Minnesota onde o pastor é um agente do ICE - como jornalista independente, para registar o evento para o seu programa transmitido em direto.
"Passei toda a minha carreira a cobrir notícias. Não vou parar agora", explicou Lemon aos jornalistas após a detenção, defendendo a importância de uma comunicação social livre e independente.
As audiências de instrução em tribunais federais incluem frequentemente a apresentação de declarações de culpa e a definição do calendário processual, tendo Lemon indicado que pretende declarar-se inocente.
Entre os restantes arguidos está também a jornalista independente Georgia Fort, cuja comparência está marcada para a próxima semana.
Os acusados respondem ao abrigo da Lei de Liberdade de Acesso às Entradas de Clínicas de 1994, que proíbe interferência ou intimidação, através de força, ameaça ou obstrução física, de qualquer pessoa que exerça o direito à liberdade religiosa garantido pela Primeira Emenda em locais de culto.
As penas previstas podem atingir um ano de prisão e multa até 10 mil dólares.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nas redes sociais que o Presidente "não tolerará a intimidação e o assédio a cristãos nos seus locais sagrados de culto".
Mas membros do clero críticos das políticas migratórias do Governo manifestaram desconforto com a interrupção do serviço religioso.
O Governo de Donald Trump tem feito referências a investigações de fraude em programas federais - envolvendo maioritariamente membros da comunidade somali do estado do Minnesota - como argumento para endurecer as políticas migratórias.
