O julgamento do ex-presidente francês Jacques Chirac num caso de alegada criação de empregos fictícios, adiado em Março por questões processuais, vai realizar-se entre 5 e 23 de Setembro num tribunal de Paris, anunciaram esta segunda-feira fontes judiciais.
Chirac, 78 anos, é acusado de desvio de fundos, abuso de confiança e conflito de interesses quando foi presidente da Câmara de Paris (1977-1995).
O ex-Presidente da República (1995-2007) é suspeito de ter permitido que pelo menos 21 pessoas que trabalhavam sobretudo para o seu partido fossem remuneradas pela Câmara de Paris.
O processo deveria ter-se realizado entre 7 de Março e 8 de Abril, mas foi adiado logo na segunda audiência por razões processuais.
As datas anunciadas esta segunda-feira foram acordadas entre o presidente do tribunal e os advogados das partes durante uma audiência em Paris, segundo as fontes, citadas pela agência France Presse.
"O presidente virá com certeza às primeiras audiências, com certeza", disse à imprensa um dos advogados de Chirac, Georges Kiejman. "Quando a sua presença não for necessária, então é evidente que não virá", acrescentou.
Em Março, o adiamento foi decidido na sequência de uma petição apresentada pelo advogado do ex-chefe de gabinete de Chirac Rémy Chardon, Jean-Yves Le Borgne, uma chamada "questão prioritária de constitucionalidade" relativa à eventual prescrição dos factos julgados.
A questão foi transmitida pelo tribunal ao Supremo Tribunal, que a 20 de Maio decidiu não se justificar a sua apresentação ao Conselho Constitucional, decisão que permitiu que o julgamento seja retomado.
Protegido até 2007 pela imunidade que lhe conferia a presidência, Chirac deverá ser agora julgado por factos que remontam aos anos 1990.
