
Ramzan Kadyrov é o líder do grupo Kadyrovites
Alexey NIKOLSKY / SPUTNIK / AFP
Um grupo militar da Chechénia está a combater as forças ucranianas. Este grupo é conhecido pelos raptos, torturas e assassinatos e a sua presença na Ucrânia poderá ser uma forma de pressão psicológica.
Implacáveis, destemidos, eficazes e experientes. São alguns dos adjetivos que descrevem os Kadyrovites, uma milícia da Chechénia, província da Rússia, que está na Ucrânia a combater lado a lado com os militares do país governado por Vladimir Putin. Este pequeno exército já esteve presente em várias guerras, como por exemplo na Síria.
São liderados por Ramzan Kadyrov, presidente da Chechénia e próximo de Putin, que criou uma imagem de terror, sobretudo nas redes sociais. No início da invasão da Rússia, publicou no Telegram uma mensagem onde referia que os Kadyrovites se tinham juntado ao exército russo e colocou vídeos onde forçava prisioneiros ucranianos a gritarem slogans chechenos. "Podem relaxar por pouco tempo porque não nos vão ver, mas nós vamos encontrar-vos! Vocês não têm muito tempo, é melhor renderem-se e juntarem-se a nós", referiu na mesma rede social.
O início separatista
Em 1994, a Federação Russa promoveu uma ação militar na Chechénia, onde rebentara uma rebelião independentista, o que deu origem à primeira guerra da Chechénia e à criação dos Kadyrovites. Esta milícia separatista opôs-se à ocupação russa na região e foi liderada por Akhmad Kadyrov (foi dele que surgiu o nome do exército), que combateu os militares russos durante dois anos.
Quando Putin chegou ao poder, em 1999, eclodiu a segunda guerra da Chechénia, mais devastadora para a população. Este batalhão mudou de lado e passou a apoiar o governante russo, deixando assim de parte as pretensões independentistas. Kadyrov foi nomeado presidente daquela região no ano seguinte.
Em 2004, Kadyrov pai foi assassinado e sucedeu-lhe o filho, Ramzan Kadyrov, que se tornou líder do grupo em 2006. Um ano depois, foi eleito presidente da Chechénia e os Kadyrovites tornaram-se conhecidos pela violência e cultura do medo na população, de forma a aumentar a autoridade sobre as pessoas. Eram frequentes os crimes de rapto, tortura e assassinatos.
Com o poder, os ataques
Após os confrontos bélicos da Chechénia, este exército procurou outros alvos. Entre 2005 e 2006, fez vários ataques a Alu Alkhanov, então presidente e pró-russo, que resultaram na morte de vários seguranças de Alkhanov e de três civis.
Em 2006, houve dois assassinatos que ficaram na memória. Abdul Halim Sadulayev era então líder do movimento independentista da Chechénia e foi assassinado a tiro por um membro do grupo de Kadyrov. Este acontecimento marcou uma transição no poder e a eleição de Dokka Umarov, vice-presidente do grupo rebelde de resistência chechena.
Quem se colocou à frente ou contra os Kadyrovites enfrentou pesadas consequências. Foi o caso de Movladi Baisarov, que durante algum tempo teceu críticas a Ramzan Kadyrov, acusando-o na comunicação social de Moscovo de ser um raptor e assassino. Apesar dos relatos que asseguravam que estava protegido por cerca de 50 homens, foi morto a tiro por um membro do grupo liderado por Kadyrov.
O conflito na Síria e a presença na Ucrânia
A milícia chechena esteve na guerra da Síria, em 2015, integrando o contingente russo. Atualmente, segundo os relatos do líder Ramzan Kadyrov, os seus combatentes estão na Ucrânia. Fontes ucranianas asseguram que a intenção deste grupo passa por capturar e matar os principais líderes do país, sobretudo o presidente Volodymyr Zelensky.
