Kaja Kallas afirma que uso da força só é legítimo em defesa própria ou com mandato da ONU

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas
Foto: Angelos Tzortinis/AFP
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou este domingo que o uso da força só é legítimo em defesa própria ou com mandato da ONU, reagindo aos recentes ataques norte-americanos no Caribe e no Pacífico.
Em declarações aos jornalistas na cidade colombiana de Santa Marta, onde participa na IV Cimeira UE-CELAC, Kaja Kallas sublinhou que esse posicionamento é determinado pelo direito internacional. "Só se pode usar a força por duas razões. Em defesa própria ou com base numa resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organizações das Nações Unidas)", ressalvou.
Leia também Costa defende que futuro se constrói "com cooperação e não confrontação"
A responsável europeia reagia desta forma aos ataques norte-americanos no Caribe e no Pacífico contra embarcações alegadamente carregadas com droga.
Os Estados Unidos dizem já ter afundado 17 embarcações, alegadamente envolvidas em tráfico de droga, causando mais de 60 mortes, enquanto países como a Colômbia e a Venezuela classificam estes ataques norte-americanos como assassinatos e execuções extrajudiciais.
Alguns países, como o Brasil, avisaram querer abordar o tema na cimeira UE-CELAC, com Lula da Silva a enquadrar a sua presença neste encontro como um ato de "solidariedade regional" para com a Venezuela, numa alusão ao destacamento militar dos Estados Unidos da América em zonas próximas das águas territoriais venezuelanas.
Kaja Kallas destacou que a União Europeia é um parceiro "fiável" para a América Latina e o Caribe, sublinhando os valores partilhados entre ambas as regiões. "Estamos a milhares de quilómetros de distância, mas partilhamos os mesmos valores. Acreditamos no direito internacional, no Estado de direito e na democracia, e lutamos juntos contra as alterações climáticas", afirmou.
Segundo adiantou, a IV Cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Europeia abordará temas como "as cidades, a segurança e o combate ao crime organizado", além da cooperação multilateral em áreas como energia, transição digital e alterações climáticas.
Questionada sobre as ausências de vários líderes de ambos os lados do Atlântico, respondeu que era necessário agradecer "aos que estão presentes".
De acordo com o Governo colombiano, participam nove chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de um total de 60 convidados.
Inicialmente prevista para decorrer até segunda-feira, a cimeira foi encurtada para uma única jornada, devendo a chamada Declaração de Santa Marta ser aprovada ainda este domingo.
