A presença do Presidente Barack Obama é o factor mais significativo das cerimónias que assinalam, amanhã, domingo, em Nova Orleães, o 5º. aniversário do Katrina, o devastador furação que quase submergiu a grande metrópole.
Após ter sido confrontado com o "seu Katrina", o pior desastre ecológico da história dos Estados Unidos da América após a explosão, em 20 de Abril, da plataforma petrolífera da BP ao largo do estado do Luisiana, os responsáveis da Casa Branca têm insistido na "determinação" do Presidente em "servir as necessidades dos habitantes da costa do Golfo".
A região tem sido martirizada nos últimos cinco anos, e desde o desastre ecológico de Abril já motivou cinco visitas de Obama à região (sobretudo para avaliar os esforços de contenção do derrame de crude), incluindo um curto período de férias.
A sexta deslocação às costas do Golfo desde Maio é justificada pelo compromisso de Obama em apoiar as populações do Golfo no processo de recuperação e a presença em Nova Orleães, acompanhado por vários membros do seu gabinete, como a "comprovação desse apoio".
A Casa Branca referiu que, desde a tomada de posse em 20 de Janeiro de 2009, a administração Obama eliminou os obstáculos burocráticos que estavam a comprometer a ajuda à reconstrução da zona de Nova Orleães e anunciou ter desbloqueado 2,42 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) para a recuperação do Luisiana e Mississípi.
Na sua segunda visita a Nova Orleães desde a tomada de posse, Obama vai pronunciar um discurso na universidade Xavier, contemplada com uma verba suplementar de 11 milhões de dólares no âmbito dos projectos de recuperação.
A cidade foi em grande parte destruída durante a passagem do furação Katrina em 29 de Agosto de 2005, ainda em plena gestão do Presidente George W. Bush, com um balanço de 1600 a 1800 mortos.
Esta foi uma das maiores tragédias naturais dos Estados Unidos, e revelou as fragilidades em termos de protecção civil e no apoio às populações, num país até então considerado quase infalível face a estes fenómenos.
Com a aproximação do monstro meteorológico, com ventos de 240 quilómetros por hora, os cerca de 1,4 milhões da cidade receberam ordem formal de evacuação. Mas dezenas de milhares, que não quiseram ou não puderam partir, ficaram encurralados.
Perante a força da tempestade, o complexo sistema de diques que deveria proteger Nova Orleães, rodeada pelo Mississípi e o lago Pontchartrain, cedeu em diversos locais, por vezes numa extensão de dezenas de metros.
A subida imparável das águas atingiu o centro histórico. A situação mais dramática ocorreu no "Lower Ninth Ward", o bairro mais pobre da cidade e habitado por 99% de negros.
A polícia sumiu e instalou-se o caos. O exército foi enviado, com ordens para disparar a matar em caso de pilhagens.
O Superdome, o grande estádio coberto da cidade, albergou dezenas de milhares de pessoas, que foram transportadas seis dias após o início da catástrofe. Foram ser necessários dois meses para secar as zonas inundadas, 80% da superfície da cidade.
As imagens de destruições, pilhagens e sofrimento denunciaram a lentidão e ineficácia dos poderes públicos. O Presidente George W. Bush tornou-se no símbolo deste fracasso, ao sobrevoar as zonas afectadas em 2 de Setembro, mas sem aterrar.
