
Foto: Will Oliver/EPA
Kevin Warsh, republicano de 55 anos que tem sido crítico de Jerome Powell, foi escolhido por Donald Trump para próximo presidente da Reserva Federal dos EUA, onde já foi governador com uma postura mais agressiva, apelidada de "falcão".
Warsh vai assim suceder a Jerome Powell quando o mandato do atual presidente do banco central americano terminar em maio, sendo que a nomeação ainda tem de ser confirmada pelo Senado, que tem maioria republicana.
Natural de Albany, Nova Iorque, Kevin Warsh formou-se em Direito em Stanford e Harvard e trabalhou até 2002 na Morgan Stanley, onde chegou ao cargo de vice-presidente.
Deixou o banco para se tornar um dos conselheiros económicos do presidente George W. Bush, especificamente responsável por fluxos de capital, mercados financeiros e setor bancário.
Foi durante esse período que casou com Jane Lauder, herdeira do grupo de cosméticos Estée Lauder, ligação familiar que o aproxima de Donald Trump.
O pai de Jane, Ronald Lauder, multimilionário e um dos principais financiadores do Partido Republicano, é amigo de infância do presidente norte-americano e seu conselheiro ocasional.
Warsh foi nomeado para o cargo de governador da Fed em 2006 pelo então presidente republicano George W. Bush e, aos 35 anos, tornou-se o membro mais jovem do Conselho de Governadores da história do banco central.
Durante a crise financeira de 2008, foi o principal elo de ligação entre a Fed e Wall Street, tendo também representado o banco central no G20.
Podia ter permanecido no cargo até 2018, o fim previsto do seu mandato, mas renunciou em 2011, criticando a continuidade da política monetária altamente acomodatícia adotada para apoiar a recuperação após a crise financeira de 2008. Esta decisão classificou-o como um "falcão", termo usado para descrever autoridades fortemente comprometidas com o combate à inflação e resistentes a cortes nas taxas de juros.
Este ponto pesou contra Warsh aos olhos da atual administração, mas passou o ano de 2025 a enviar sinais favoráveis à Casa Branca, defendendo cortes nas taxas de juros e criticando o banco central.
Warsh posicionou-se nos últimos meses como defensor das políticas presidenciais e crítico do banco central, tendo defendido que "os americanos teriam salários líquidos mais altos e maior poder de compra se os dirigentes da Reserva Federal parassem de defender os seus erros e começassem a corrigi-los".
Segundo Warsh, o banco central deve, em particular, "abandonar o dogma de que a inflação é causada por crescimento económico excessivo e salários excessivamente altos". A inflação ocorre "quando o Governo gasta demais", concluiu.
Atualmente, o republicano é investigador na Hoover Institution, de tendência conservadora, e professor na Stanford Graduate School of Business.
Esta escolha surge num contexto marcado por críticas à pressão da Casa Branca sobre o banco central norte-americano, cuja independência é considerada fundamental para cumprir o duplo mandato de controlar a inflação e impulsionar o emprego.
