Kiev e Moscovo trocam mil prisioneiros: alguns soldados foram libertados ao fim de quatro anos

Soldado ucraniano abraça familiares em Chernihiv, Ucrânia
Foto: Genya Savilov / AFP
Ucrânia e Rússia anunciaram, esta quinta-feira, a troca de 200 prisioneiros de guerra de cada lado, na primeira etapa de uma operação acordada durante as recentes negociações em Genebra, Suíça. Até sexta-feira, serão trocadas mil pessoas no total (500 de Kiev e outras tantas de Moscovo).
"Hoje, 200 famílias ucranianas receberam a mensagem que mais esperavam: os seus entes queridos estão a regressar a casa", escreveu nas redes sociais o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, como legenda de um vídeo que mostrava os soldados a descerem de um autocarro, envoltos em bandeiras ucranianas e a entoarem o hino nacional enquanto abraçavam quem os aguardava. Alguns dos ucranianos libertados estavam presos há quatro anos, incluindo soldados que participaram na defesa da fábrica de aço Azovstal em Mariupol, símbolo da resistência ucraniana. "Muitos estão num estado psicológico difícil. Alguns foram encontrados criticamente abaixo do peso", apontou o comissário dos Direitos Humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets.

Foto: Presidência Ucraniana via EPA
Do lado russo, o Ministério da Defesa divulgou imagens que mostram os seus soldados embrulhados em bandeiras russas, a entrarem num autocarro e a celebrarem. "No âmbito dos acordos alcançados em Genebra, terá lugar uma troca de prisioneiros com a Ucrânia nos dias 5 e 6 de março: 500 por 500", escreveu o negociador russo e conselheiro do Kremlin, Vladimir Medinsky.
Oleoduto em abril
A troca de prisioneiros e de corpos de soldados é o único resultado concreto de várias rondas de negociações entre Kiev e Moscovo, organizadas desde 2025 sob pressão de Washington. Era esperada para esta semana uma nova reunião trilateral, mas foi suspensa por causa da guerra no Médio Oriente.
Zelensky disse hoje que o oleoduto Druzhba, que fornece petróleo da Rússia para a Europa, e cujo trecho ucraniano foi danificado num ataque russo, só poderá voltar a operar dentro de "um mês e meio". Acusado pela Hungria e Eslováquia de atrasar as reparações de forma deliberada, razão pela qual Budapeste bloqueia um empréstimo da UE à Ucrânia até que o abastecimento seja retomado, o presidente ucraniano admitiu que preferiria não reativar o oleoduto, mas admitiu ser preciso fazê-lo para desbloquear os 90 mil milhões de euros.

