
Kofi Annan considerou, esta quinta-feira, que o presidente Bashar al-Assad deve deixar o poder "mais tarde ou mais cedo" no quadro de uma transição política na Síria.
O emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria falava numa conferência de imprensa destinada a explicar os motivos que o levaram a renunciar à mediação do conflito sírio.
Annan afirmou que "transição política significa que Assad deve partir mais tarde ou mais cedo" e não afastou a hipótese de o seu sucessor vir a ter mais sucesso na missão de levar a Síria a um processo de transição.
Annan justificou, esta quinta-feira, a sua demissão, numa conferência de imprensa em Genebra, alegando que não recebeu "todos os apoios que a causa merecia" e apontou as divisões que existem na comunidade internacional.
A demissão fora anunciada pouco antes num comunicado divulgado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que agradeceu a Annan os esforços feitos para alcançar a paz e lamentou que "a espiral de violência continue na Síria".
Annan, um diplomata do Gana de 73, recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2001 e ocupou o cargo de secretário-geral da ONU de 1997 a 2006.
Foi nomeado enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria a 23 de fevereiro passado. Desde então deslocou-se três vezes ao país, em março, em maio e em julho, e reuniu-se com o Presidente Bashar al-Assad, mas sem nunca ter conseguido avanços para a aplicação do plano de paz que tinha apresentado em abril.
