
Albert Rivera, líder do Ciudadanos
Susana Vera/Reuters
O líder nacional do Ciudadanos, Albert Rivera, considerou, este domingo, que "o bipartidarismo está morto" em Espanha, num primeiro comentário aos resultados das eleições autonómicas na Andaluzia, no qual o seu partido e o Podemos obtiveram quase 25% dos votos.
"Estou convencido que muita gente, mesmo depois do que se passou hoje, não quererá admitir que Espanha está a mudar, que vai continuar a ler nos resultados que nós perdemos e que eles ganharam. Mas todos sabemos que o bipartidarismo morreu. E todos sabemos que os que nos trouxeram até esta situação, por muito que sorriam, no fundo perderam", disse Albert Rivera.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) da Andaluzia ganhou as eleições autonómicas naquela região, com 47 deputados, sem maioria absoluta, enquanto os partidos emergentes Podemos (15 deputados) e Ciudadanos (9) entraram no parlamento andaluz com forte representação no parlamento andaluz.
"Há partido: nas europeias votaram em nós quase meio milhão de espanhóis e 46 mil na Andaluzia. Hoje fomos sem dúvida a surpresa, a grata surpresa, trazendo a "ilusión" [palavra em castelhano que quer dizer ao mesmo tempo esperança e vontade] e a esperança. Quase 400 mil andaluzes disseram que querem uma mudança, mas uma mudança sensata", disse Rivera, numa referência velada ao partido Podemos (considerado de esquerda radical). O Ciudadanos situa-se no centro-direita.
Para Rivera, que fundou o Ciudadanos como um partido catalão (mas que entretanto se transformou numa formação política nacional), os resultados de hoje querem dizer "que a Andaluzia quer mudanças".
"Mas também há que gerir a mudança. A diferença do Ciudadanos em relação a outras mudanças é que aqui não consideramos inimigos nem o PP, nem o PSOE nem o Podemos, consideramos que os inimigos de Espanha são o desemprego, a corrupção e a crise de confiança. A Espanha pede mudanças, mas também pede diálogo", disse o líder do Ciudadanos numa afirmação que pode ser lida como uma abertura a pactos políticos com os principais partidos, algo que será crucial ao PSOE para que governe na Andaluzia.
