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A mãe de Alfie Evans, o bebé britânico de 23 meses que morreu, no sábado, na sequência de uma batalha contra uma doença neurológica degenerativa, tornou público, na Internet, um poema emotivo de tributo ao filho.
A mensagem foi partilhada por Kate James, no Facebook, um dia depois da morte do filho:
https://www.facebook.com/christine.grayson.12/posts/625025101177514
"Mamã, por favor, não chores
Porque tenho de ir dormir
Estarei sempre junto a ti
Para secar as lágrimas que deixas cair.
Pai, por favor, sê forte
É tempo de eu descansar
Os três sempre juntos, pai
Lutamos, fizemos o melhor.
Levaram a minha luta a todos
Aos tribunais, à rainha, ao Papa
Enquanto tomavam conta do vosso bebé,
Nunca perderam a esperança.
E agora a dor é pesada
Agora que o tempo chegou,
Mesmo que não esteja nos vossos braços
Viverei nos vossos corações.
Deus chamou-me
Para me sentar ao seu lado
Para olhar por vós
Com orgulho interminável.
Uma última mensagem para o meu exército,
Cuidem de quem amam
Porque o tempo não é prometido
Agora tenho de dizer boa noite."
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A vida do pequeno Alfie foi uma batalha dura do início ao fim, tanto em hospitais como em tribunais. O bebé estava em estado semivegetativo, em resultado de uma condição neurológica degenerativa incurável que, no final de 2016, levou ao internamento do bebé num hospital de Liverpool, com respiração auxiliada por máquinas. A equipa médica que acompanhou a criança rejeitou sempre tratamentos adicionais por considerá-los "inúteis".
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Os pais debateram-se contra a Justiça durante meses - ao abrigo da lei britânica, é comum os tribunais intervirem quando pais e médicos discordam quanto ao tratamento de uma criança doente - e tentaram levar o filho para um hospital em Itália, onde seria mantido com suporte de vida. A batalha legal assistiu a intervenções do Papa Francisco e do Governo italiano, que apoiaram as pretensões da família de que o filho recebesse tratamento num hospital do Vaticano. Mas a justiça britânica não autorizou a mudança e rejeitou todos os recursos interpostos.
No início desta semana, os médicos decidiram desligar as máquinas e administrar a Alfie cuidados paliativos para que morresse sem sofrimento. O hospital considerou ser este o interesse superior da criança, alegando que qualquer tratamento adicional seria "cruel e desumano", segundo a BBC. O Tribunal Superior de Justiça britânico tinha autorizado, em fevereiro, que o hospital desligasse o respirador artificial.
O caso provocou comoção geral e originou a criação de um grupo de apoiantes, o "Exército de Alfie", que organizou várias vigílias e manifestações pela continuidade dos tratamentos.
