
Descoberto mistério com mais de cinco séculos
REUTERS/Henry Romero
Em 1545, os astecas, que habitavam o México, foram surpreendidos por um elevado número de mortes. De um momento para o outro, as pessoas caíam com febres altas, dores de cabeça e sangramentos nos olhos, boca e nariz. Três ou quatro dias depois dos sintomas iniciais, acabavam por morrer. Sabe-se agora que uma espécie de febre entérica esteve na origem do fim desta civilização.
Bastaram cinco anos para que 15 milhões de pessoas, cerca de 80% da população, desaparecessem, em consequência daquilo a que os locais chamaram de "cocoliztli". A palavra significa pestilento, na linguagem asteca.
A verdade é que durante 500 anos nunca ninguém foi capaz de descobrir o que verdadeiramente esteve na origem do fim trágico de uma das mais notáveis civilizações da história da humanidade.
Na última segunda-feira, um grupo de cientistas descartou a varíola, o sarampo e a gripe como as causas de morte. Identificaram, porém, uma forma de febre entérica, da qual a tifoide é um exemplo, no ADN recolhido dos dentes dos mortos.
Foram analisados 29 restos mortais retirados de valas comuns onde foram enterradas pessoas vítimas de "cocoliztli", identificada hoje como a bactéria Paratyphi C, uma forma de salmonela, que já não provoca vítimas mortais.
"A causa desta epidemia foi debatida ao longo dos séculos por historiados e agora podemos apresentar evidências diretas através do uso de ADN", disse Ashild Vagene , da Universidade de Tuebingen , na Alemanha, citada pelo "The Guardian".
Vagane é uma das coautoras do artigo publicado na revista científica "Nature Ecology" que apresenta novos dados relacionados com o fim da civilização Asteca. Trata-se de uma das mais mortais epidemias da história da humanidade. A primeira onda foi registada em 1545 e abateu-se sobre a região onde está o México e parte da Guatemala, matando cerca de oito milhões de pessoas, mesmo antes da chegada dos espanhóis que vieram a colonizar a região.
A segunda vaga atingiu a zona entre 1576 e 1578, matando metade da população. "Nas grandes cidades, foram abertas valas do nascer ao por do sol e os sacerdotes não faziam mas nada a não ser depositar corpos", pode ler-se numa crónica da época, assinada pelo historiador franciscano Fray Juan de Torquemada.
